Condição comum entre mulheres pode estar ligada a hormônios, atrito e até doenças; higiene não é a causa
O escurecimento da região íntima é uma queixa frequente entre mulheres e costuma gerar dúvidas, principalmente sobre suas causas e formas de tratamento. Em entrevista ao programa Cidade em Pauta, da rádio Nordeste FM, a ginecologista Márcia Suely explica que, embora seja comum, isso não significa que deva ser ignorado quando causa incômodo.
A médica destaca que a região genital já é naturalmente mais escura que o restante do corpo e tende a intensificar essa coloração ao longo da vida. Alterações hormonais têm papel importante nesse processo, o que faz com que o escurecimento aumente em fases como puberdade, gestação, pós-parto e menopausa. O uso de anticoncepcionais e o envelhecimento da pele também influenciam.
Entre os principais fatores, o atrito aparece como um dos mais relevantes. Roupas apertadas, prática de atividades físicas, uso frequente de absorventes diários e métodos de depilação, como lâmina e cera, podem irritar a pele e estimular a produção de melanina. Até o tipo de tecido das roupas íntimas pode interferir: materiais sintéticos e peças muito justas tendem a aumentar a fricção, enquanto tecidos mais leves, como o algodão, ajudam a reduzir a irritação.
Outro ponto importante é que o escurecimento não está relacionado à falta de higiene, ao contrário do que muitas pessoas acreditam. Trata-se de um mito. Além disso, algumas condições de saúde podem contribuir para o problema, como diabetes, síndrome dos ovários policísticos e resistência à insulina. Nesses casos, pode surgir a acantose nigricans, caracterizada pelo escurecimento em regiões como pescoço, axilas e virilha.
A exposição solar também pode intensificar a produção de melanina, mesmo sem contato direto com a região íntima, o que ajuda a explicar a maior incidência em países com alta exposição ao sol, como o Brasil.
O tratamento, no entanto, exige cautela. Um dos principais erros é tentar soluções rápidas sem entender a causa do escurecimento. Cada caso deve ser avaliado de forma individual, já que diferentes fatores podem estar envolvidos. O uso inadequado de produtos, especialmente os divulgados na internet, pode provocar irritações e até piorar o quadro, levando à hiperpigmentação pós-inflamatória — quando a pele escurece ainda mais após uma tentativa de clareamento.
A recomendação é priorizar tratamentos suaves e progressivos, sempre com orientação de profissionais especializados. Isso é ainda mais importante para pessoas com pele mais escura, que tendem a reagir com maior intensidade a estímulos e têm maior risco de desenvolver manchas.
Além de evitar produtos sem prescrição, algumas medidas simples podem ajudar na prevenção, como usar roupas mais confortáveis, reduzir o atrito na região e investigar possíveis alterações hormonais ou metabólicas. O cuidado contínuo e a paciência são fundamentais para alcançar resultados seguros e duradouros.