O assoalho pélvico é formado por músculos e ligamentos que sustentam órgãos como a bexiga, o útero e o reto.
Em alusão ao Dia da Consciência da Saúde Pélvica, celebrado em 23 de setembro, a fisioterapeuta Michele Vesalli, especialista em fisioterapia pélvica adulta e infantil, participou de um bate-papo na Nordeste FM para esclarecer a importância dos cuidados com o assoalho pélvico e orientar sobre prevenção, tratamento e qualidade de vida.
“Essa data é muito importante. Ela marca um momento de atenção para uma região essencial, mas ainda pouco discutida, que influencia diretamente a saúde íntima e a qualidade de vida da mulher”, explicou, destacando que o assoalho pélvico é formado por músculos e ligamentos que sustentam órgãos como a bexiga, o útero e o reto.
Entre os problemas mais comuns relacionados à saúde pélvica, a especialista citou a incontinência urinária, o prolapso de órgãos pélvicos e as disfunções sexuais.
“Algumas mulheres apresentam escape de urina ou fezes. Chamamos de incontinência urinária, que pode ocorrer ao tossir, espirrar ou durante atividades físicas de alto impacto, como corridas, Jump e CrossFit”, alertou.
Ela também destacou que o prolapso, ou descida de órgãos pélvicos, é frequente principalmente em mulheres que entram na menopausa, devido ao enfraquecimento dos ligamentos e músculos da região. “Essas mulheres podem sentir desconforto ou dor durante a relação sexual, mas é importante reforçar: não é normal sentir dor durante o sexo”, frisou.
A especialista desmistificou a ideia de que somente mulheres no pós-parto precisam se preocupar com o assoalho pélvico.
“O ideal é que a avaliação seja precoce, desde a primeira menstruação. Existem países em que meninas com 16 anos já passam por acompanhamento fisioterapêutico para prevenir disfunções”, explicou Michele, lembrando ainda que crianças também podem apresentar problemas, como enurese noturna (xixi na cama), e devem ser avaliadas a partir dos cinco anos de idade.
Sobre a avaliação fisioterapêutica, Michele esclareceu: “É semelhante à avaliação ginecológica, mas não invasiva. Em meninas virgens, tudo é feito visualmente. Em mulheres sexualmente ativas, avaliamos a musculatura e o funcionamento da região sem procedimentos invasivos.”
A profissional ressaltou ainda a importância da conscientização corporal: “Muitas mulheres não conhecem sua musculatura pélvica. Primeiro, é preciso tocar, olhar no espelho, conhecer o corpo para identificar possíveis disfunções e iniciar o tratamento adequado.”
Entre os hábitos que prejudicam a saúde pélvica, Michele destacou:
Ela explicou que a fisioterapia pélvica pode prevenir e tratar essas disfunções, incluindo casos mais graves.
“Mesmo pacientes com indicação cirúrgica para prolapso podem se beneficiar da fisioterapia antes e após a cirurgia para fortalecer a musculatura e melhorar a qualidade de vida”, disse.
A especialista finalizou com uma mensagem de incentivo à prevenção e ao tratamento:
“Meninas, mulheres e senhoras, é fundamental conhecer seu corpo, identificar disfunções como incontinência urinária, prolapse ou dor durante o sexo e buscar especialistas. Não deixe para depois. Existe tratamento, cuidado e possibilidade de cura.”
Para quem deseja mais informações ou acompanhamento, Michele Vesalli atende na Clínica Vitalis e pode ser contatada pelo Instagram @michelle_vesalli