09/06/2026
--
De Olho na Cidade
InícioSaúde
4 min de leitura

Especialista alerta sobre mitos no tratamento de feridas: “O que ajuda uma pessoa pode piorar a ferida de outra”

Tratamento inadequado prolonga sofrimento de pacientes com feridas crônicas

Victória SilvaRedação: Victória Silva
quinta-feira, 07 de maio de 2026 às 10:31
Uma mulher sorridente, longos cabelos pretos, posa em um estúdio de rádio. Ela veste um colete social azul-escuro com botões prateados. Ao seu lado, há uma grande placa branca com o logotipo da rádio "Nordeste FM 95,3", que traz um sol amarelo ao centro e a frase "Madeirada de alegria!".
Foto: De Olho na Cidade

A estomaterapeuta Áquilla Chahinne trouxe orientações importantes sobre os cuidados corretos com feridas, alertando para práticas caseiras e produtos inadequados que ainda são amplamente utilizados pela população. A especialista destacou que o uso incorreto de substâncias pode agravar o quadro e atrasar a cicatrização.

Segundo Áquilla, um dos maiores perigos é seguir orientações sem avaliação profissional.

“Todo mundo tenta ajudar quando uma pessoa tem ferida. Se você parar na rua e perguntar o que acha daquele ferimento, todo mundo vai ter uma opinião para dar e essas opiniões são um risco para a pessoa que está buscando tratamento”, afirmou.

A especialista explicou que muitos hábitos antigos continuam sendo reproduzidos, mesmo sem recomendação médica. Entre eles, o uso de álcool e água oxigenada diretamente sobre a lesão.

Áquilla esclareceu que tanto o álcool quanto a água oxigenada possuem ação antisséptica, mas também provocam danos à pele e ao processo de cicatrização.

“Embora matem bactérias, eles causam vários prejuízos. O álcool provoca ardência, irritação e pode ser tóxico para as novas células que estão sendo formadas”, explicou.

Ela ressaltou ainda que a água oxigenada também pode prejudicar o tecido em recuperação.

“Ela mata bactérias mais simples, mas não consegue agir nas mais agressivas e ainda pode causar irritação e toxicidade para o novo tecido”, disse.

Como alternativa, a profissional citou produtos mais modernos e seguros, como clorexidina e PHMB, utilizados atualmente no tratamento especializado de feridas.

Outro alerta feito pela especialista foi sobre o uso indiscriminado de pomadas indicadas por conhecidos ou familiares.

“Uma pomada que é boa para uma pessoa pode não servir para outra. Tudo depende do tipo da ferida, da presença de bactéria, tecido morto ou necrose”, destacou.

Áquilla relatou o caso de um paciente que utilizava papaína em uma ferida saudável, o que acabou prejudicando a cicatrização.

“Enquanto o corpo tentava cicatrizar, a pomada destruía o tecido saudável”, contou.

Segundo ela, muitos pacientes chegam à clínica após meses ou até anos utilizando produtos inadequados sem acompanhamento especializado.

A estomaterapeuta também desmentiu um dos mitos mais populares sobre o assunto: deixar a ferida aberta para “respirar”.

“A ferida não precisa respirar. Deixar aberta aumenta o risco de infecção por poeira, insetos, pelos de animais e bactérias”, afirmou.

Ela explicou que estudos comprovam que manter a lesão limpa e coberta acelera o processo de cicatrização.

“Desde 1960 já existem estudos mostrando que manter a ferida coberta ajuda na recuperação e reduz os riscos de contaminação”, ressaltou.

A profissional lembrou ainda que cada caso exige um tipo específico de curativo e acompanhamento adequado.

Áquilla também alertou sobre receitas caseiras ainda muito utilizadas, como açúcar, café e outros alimentos aplicados diretamente sobre a pele lesionada.

“Esses produtos não são estéreis e podem conter impurezas e bactérias”, explicou.

Ela contou que já atendeu pacientes com complicações graves provocadas por essas práticas.

“Atendi um paciente que usava açúcar na ferida há muito tempo e chegou com infecção generalizada porque a lesão estava infestada de formigas”, revelou.

A especialista reforçou que produtos alimentícios não devem ser usados no tratamento de feridas

Questionada sobre casos de feridas crônicas, Áquilla afirmou que, na maioria das vezes, existe possibilidade de cicatrização, desde que o paciente receba acompanhamento especializado.

“Ferida crônica pode sim ter cura, mas é necessário entender a causa do problema e montar uma estratégia individualizada”, afirmou.

Ela destacou que muitos pacientes convivem durante anos com lesões abertas por falta de tratamento adequado.

“Noventa por cento dos casos de feridas crônicas que não cicatrizam acontecem por falta de tratamento especializado”, pontuou.

A entrevista também contou com o depoimento da irmã Suzana, filha de um paciente atendido pela clínica Doutor Curativos. Segundo ela, o pai realiza tratamento há quase um ano para uma úlcera crônica e vem apresentando evolução significativa.

“Está cicatrizando devagarinho, mas está cicatrizando. Ele já está conseguindo se locomover melhor”, relatou.

Ela também destacou o acolhimento oferecido pela equipe.

“Além da técnica e do material, existe carinho, paciência e humanização. Isso ajuda muito na recuperação”, afirmou.

A clínica Doutor Curativos realiza atendimento especializado para feridas crônicas, feridas complexas e pé diabético, utilizando tecnologias como laserterapia e curativos avançados.

A unidade está localizada na Avenida Getúlio Vargas, Edifício Ícone, sala 403, em Feira de Santana. O contato para atendimento é (75) 99855-2999.

Compartilhar:

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nosso Termos de Uso.