11/04/2026
...
De Olho na Cidade
InícioCultura
Cultura4 min de leitura

Especialista analisa chances de “O Agente Secreto” após quatro indicações ao Oscar

Filme de Kleber Mendonça Filho coloca o Brasil entre os favoritos ao Oscar

Por Rafa
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Imagem de Especialista analisa chances de “O Agente Secreto” após quatro indicações ao Oscar

O cinema brasileiro voltou a ganhar projeção internacional com o filme “O Agente Secreto”, que recebeu quatro indicações ao Oscar, feito celebrado por artistas e críticos como um marco para a cultura nacional. A produção dirigida por Kleber Mendonça Filho concorre nas categorias Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator, com Wagner Moura, e Melhor Direção de Elenco.

Para o cineasta, ator e crítico de cinema Fernando Souza, as indicações representam uma vitória coletiva.

“A gente está muito feliz com isso. É muito bom para a nossa cultura, para o nosso cinema e para o nosso Brasil”, afirmou.

Segundo ele, algumas indicações já eram esperadas, como Melhor Filme Internacional e Melhor Ator, mas houve surpresas positivas.

“A grande surpresa foi a indicação em Direção de Elenco, que é um prêmio novo dentro do Oscar, e também a de Melhor Filme. Aí você não concorre apenas como um filme de língua não inglesa, mas com todos os outros filmes do mundo. Isso coloca a gente em outro patamar”, avaliou.

Fernando acredita que as maiores chances do longa brasileiro estejam na categoria de Filme Internacional, apesar da forte concorrência.

“Eu acredito que a nossa maior chance é em filme de língua não inglesa. Temos um grande concorrente que vem do Irã, mas seguimos confiantes. Só o fato de estar entre os indicados já é algo muito grande”, disse.

Sobre a indicação de Wagner Moura, o crítico pondera que a disputa é acirrada.

“A atuação de Wagner já ganhou o Globo de Ouro e está chamando muita atenção, mas os concorrentes dele também são à altura. Estar nessa lista já é uma consagração”, destacou.

Fernando também ressaltou a importância da mobilização do público brasileiro, inclusive nas redes sociais.

“Eles gostaram muito da participação dos brasileiros nas redes sociais. No ano passado, uma foto de Fernanda Torres foi a mais curtida da história da Academia do Oscar. O que a gente pode fazer agora é torcer, comentar e apoiar muito”, afirmou.

O cineasta explicou ainda como funciona o processo de votação da Academia, que atualmente é formado por profissionais do mundo inteiro.

“Hoje não são mais apenas aqueles senhores brancos e mais velhos votando. A Academia mudou. Temos atores, diretores e roteiristas de vários países. Wagner Moura, Rodrigo Santoro, Selton Mello e o próprio Kleber Mendonça Filho são membros votantes”, explicou.

Sobre a premiação, Fernando esclareceu que o Oscar não oferece um prêmio em dinheiro direto, mas gera reconhecimento e oportunidades.

“O dinheiro vem por consequência. O networking cresce muito. Wagner e Kleber, que já eram vistos por Hollywood, passam a ser ainda mais cobiçados para filmes e campanhas publicitárias”, pontuou.

O crítico relaciona o sucesso recente do cinema nacional a um período de retomada da valorização cultural no país.

“Tivemos um tempo em que a cultura foi muito atacada, mas o artista tem essa vontade de fazer, de resistir. O próprio Kleber já disse que não teria escrito esse filme se não fosse o contexto político vivido no Brasil”, lembrou.

Fernando também avalia que o tema abordado pelo filme teve peso nas indicações.

“O mundo está passando por processos de polarização e reflexão política. Quando uma história é bem contada, ela dialoga com várias realidades. ‘O Agente Secreto’ diverte, mas também provoca reflexão”, destacou.

Segundo ele, a abordagem da ditadura no filme de Kleber Mendonça Filho é mais sutil, diferente de outras produções recentes.

“Ele falou da ditadura sem falar diretamente da ditadura. Definiu o período como um ‘momento de pirraça’, é um filme com a identidade dele”, concluiu.

A cerimônia do Oscar acontece em março, e a expectativa é grande para que o Brasil volte a fazer história.

“Vamos torcer muito. Quem sabe a gente não traz mais um Oscar pra casa”, finalizou Fernando Souza.

Compartilhar:

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nosso Termos de Uso.