Psicólogo alerta que esgotamento emocional ligado ao trabalho exige acompanhamento profissional e diálogo transparente dentro das empresas.
O avanço dos casos de síndrome de burnout tem acendido um alerta sobre a saúde mental no ambiente de trabalho. O psicólogo Doutor Alfredo de Morais explicou que o burnout é um adoecimento reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e diretamente relacionado às atividades profissionais, provocando esgotamento físico e emocional.
Segundo o especialista, apesar de pessoas exercerem a mesma função e enfrentarem condições semelhantes, cada indivíduo reage de forma diferente às pressões do ambiente profissional.
“Você vai ter duas pessoas com mesma idade, com as mesmas características, com o mesmo trabalho, com a mesma função, mas um adoece e o outro não adoece. Isso não tem a ver com força ou capacidade intelectual. Tem a ver com a percepção de cada um sobre o fluxo de trabalho”, explicou.
Alfredo destacou que o burnout vai muito além de um simples cansaço. Entre os sintomas mais comuns estão exaustão, dificuldade de concentração, irritabilidade e aumento de erros nas tarefas do dia a dia, fatores que podem representar riscos ainda maiores em profissões que exigem esforço físico ou atenção constante.
“Vem aquele esgotamento físico, aquela chateação, a falta de atenção e isso culmina num risco muito grande para vários tipos de trabalho, principalmente os trabalhos braçais”, afirmou.
O psicólogo também reforçou que o diagnóstico não deve ser feito apenas pela percepção dos sintomas, sendo necessária a avaliação de profissionais especializados.
“É necessário procurar um psicólogo, um psiquiatra ou um médico do trabalho para que possa se fechar esse diagnóstico”, orientou.
Dr. Alfredo explicou que fatores como excesso de cobranças, funções repetitivas, pressão constante e até humilhações dentro do ambiente corporativo podem desencadear o adoecimento.
“Pode ser uma chefia que exija demais, uma cobrança excessiva, às vezes algumas humilhações. Isso pode fazer uma conexão com coisas da parte psicológica da pessoa”, disse.
Ele ressaltou ainda que o tratamento nem sempre depende exclusivamente de medicação, podendo ser conduzido com acompanhamento terapêutico.
“Isso não precisa ser tratado tão só com medicação, mas pode ser tratado também no plano terapêutico”, pontuou.
Outro ponto abordado pelo psicólogo foi a importância do diálogo dentro das empresas. Segundo ele, muitas vezes o trabalhador enfrenta incompreensão por parte de gestores e colegas, que confundem o adoecimento com preguiça ou falta de comprometimento.
“É necessário que a chefia saiba que é um adoecimento e não preguiça, não é falta de compromisso, não é falta de responsabilidade”, destacou.
O especialista recomenda que qualquer conversa com superiores seja feita somente após avaliação profissional e com laudo médico em mãos.
“Primeiro vá ao médico, vá ao psicólogo e depois apresente todas as conclusões sobre esse fato”, aconselhou.
Alfredo também defendeu a ampliação de debates sobre saúde mental dentro das empresas, especialmente com a implementação da NR-1, norma que amplia a atenção aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
O debate sobre burnout também reforça a necessidade de equilíbrio entre desempenho profissional e qualidade de vida. Especialistas alertam que o esgotamento mental é resultado de ciclos constantes de estresse e pressão, muitas vezes alimentados pela tentativa de sacrificar a saúde em busca de metas e produtividade.
A recomendação é que trabalhadores estabeleçam limites, adotem práticas de autocuidado e compreendam que descanso e saúde mental também fazem parte da performance profissional.
*Com informações do repórter JP Miranda