11/04/2026
...
De Olho na Cidade
InícioPolítica
Política4 min de leitura

Especialista explica regras de desincompatibilização e riscos de dupla vacância na Prefeitura de Feira nas eleições de 2026

O desconhecimento ou o descumprimento dos prazos legais pode resultar em inelegibilidade, além de provocar impactos diretos na administração municipal.

Por Rafa
sábado, 14 de fevereiro de 2026
Imagem de Especialista explica regras de desincompatibilização e riscos de dupla vacância na Prefeitura de Feira nas eleições de 2026

A possível candidatura de agentes públicos de Feira de Santana às eleições estaduais e federais de 2026 reacende um debate jurídico fundamental: a desincompatibilização e a eventual dupla vacância dos cargos de prefeito e vice-prefeito. O tema foi detalhado pelo advogado eleitoral Dr. Gutemberg Oliveira, em entrevista ao programa Cidade em Pauta.

Segundo o especialista, o desconhecimento ou o descumprimento dos prazos legais pode resultar em inelegibilidade, além de provocar impactos diretos na administração municipal.

De acordo com Dr. Gutemberg, a legislação eleitoral não se aplica apenas a prefeitos, governadores e parlamentares, mas também a servidores públicos em geral, ocupantes de cargos temporários, comissionados, e até profissionais da comunicação que pretendam disputar cargos eletivos.

“A desincompatibilização não atinge apenas agentes políticos. Ela alcança servidores públicos de uma maneira geral e até profissionais da comunicação, que precisam se afastar das atividades para não interferir diretamente no resultado do pleito”, explicou.

A base legal está na Lei nº 9.504/1997 e na Lei Complementar nº 64/1990, que estabelecem prazos rígidos para afastamento de funções públicas.

O advogado destacou que, como regra geral, o afastamento deve ocorrer seis meses antes da eleição, mas fez um alerta especial para quem ocupa cargos temporários.

“Na dúvida, se você tem cargo temporário ou comissionado e pretende concorrer, o ideal é se desincompatibilizar já em abril. Isso evita risco de mudança de entendimento da Justiça Eleitoral”, orientou.

Já para servidores efetivos ou concursados, o prazo geral é de três meses antes do pleito, respeitando as regras específicas de cada categoria.

Dr. Gutemberg chamou a atenção para alterações recentes que impactam diretamente militares e profissionais da segurança pública.

“Quem tem menos de cinco anos de carreira pode perder automaticamente o cargo ao registrar a candidatura. Tivemos casos recentes em que isso aconteceu por falta de atenção à legislação”, alertou.

Além disso, a filiação partidária passou a ter regras mais restritivas para essas categorias, o que pode inviabilizar candidaturas se não for observada corretamente.

Prefeito e vice precisam renunciar se quiserem disputar eleições?

Um dos pontos centrais da entrevista foi a possibilidade de renúncia simultânea do prefeito e do vice-prefeito de Feira de Santana, caso ambos decidam disputar cargos em 2026.

“Estamos no segundo ano de mandato. Se prefeito e vice renunciarem para disputar eleições, configura-se a chamada dupla vacância”, explicou o advogado.

Nesse cenário, entram em vigor decisões do Supremo Tribunal Federal, especialmente a ADPF 969, que tratou de situação semelhante no estado de Alagoas.

Quem assume a Prefeitura em caso de dupla vacância? Segundo Dr. Gutemberg, a regra é clara: “Se ocorrer dupla vacância nos dois primeiros anos do mandato, quem assume interinamente é o presidente da Câmara Municipal”, afirmou.

Em Feira de Santana, esse entendimento está alinhado com a Lei Orgânica do Município, respeitando também o artigo 81 da Constituição Federal.

Uma vez caracterizada a dupla vacância, a legislação determina a realização de uma eleição suplementar direta, em prazo que pode chegar a até 90 dias.

“O presidente da Câmara assume de forma interina, e a população volta às urnas para escolher o novo prefeito e vice”, explicou.

O advogado destacou ainda que o presidente da Câmara pode concorrer, desde que não tenha dado causa à vacância e respeite os prazos de desincompatibilização.

Campanhas de 2026 devem ser as mais caras da história da Bahia

Outro ponto abordado foi o alto custo das campanhas eleitorais de 2026, especialmente para deputado estadual.

“Será uma das campanhas mais caras do período democrático da Bahia. Teremos muitos ex-prefeitos e prefeitos com dois mandatos disputando vagas”, avaliou.

Ele alertou para o aumento de práticas ilícitas ainda no período de pré-campanha.

“Qualquer despesa feita fora do período eleitoral é ilegal. Já existem diversas ações judiciais apurando abusos desde 2024”, afirmou.

O advogado deixou orientações claras para prefeitos, vice-prefeitos e presidentes de Câmara que pretendem disputar eleições:

“A primeira regra é atenção absoluta aos prazos de desincompatibilização. A segunda é cuidado com gastos e eventos, porque não existe almoço grátis em ano eleitoral. Tudo pode ser investigado como abuso de poder econômico ou político”, alertou.

Ele reforçou a necessidade de responsabilidade social dos futuros candidatos.

“O que a população espera são pessoas comprometidas com a realidade dos municípios, com problemas reais como água, saúde e infraestrutura”, concluiu.

Compartilhar:

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nosso Termos de Uso.