A decisão, que ainda aguarda a definição da dosimetria das penas, gerou repercussões entre especialistas e lideranças políticas.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (11), de maneira inédita na história do país, condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por uma trama golpista. A decisão, que ainda aguarda a definição da dosimetria das penas, gerou repercussões entre especialistas e lideranças políticas.
Para o economista Amarildo Gomes, proprietário da Economic Pesquisas, o resultado já era esperado e evita consequências graves para o país.
“O desfecho era esperado, e isso é importante para que outros não tentem o mesmo. Se o Brasil sofresse um golpe, perderíamos investimentos estrangeiros, teríamos inflação, desemprego e aumento da pobreza”, avaliou.
Ele destacou que, apesar de possíveis reflexos econômicos imediatos, a economia brasileira tem força para superar a instabilidade:
“O mundo precisa do que o Brasil produz. Nossa economia é robusta. Vamos superar isso, embora ainda tenhamos problemas internos, como o déficit fiscal”, acrescentou.
O comentarista político Humberto Cedraz lembrou que a prisão de ex-presidentes não é inédita no Brasil nem no mundo.
“Isso já aconteceu com Collor, Temer e o próprio Lula. A sociedade se manteve firme. É preciso respeitar o resultado da Suprema Corte, que mostra independência e a harmonia entre os Poderes”, afirmou.
Já o vereador Ismael Bastos (PL) questionou a imparcialidade do processo.
“Esse julgamento, na minha visão, é de cartas marcadas. Ministros deram entrevistas e trataram Bolsonaro como inimigo. Há uma animosidade que não condiz com o papel do STF”, disse.
Ele também comparou o caso ao processo que levou à prisão do presidente Lula:
“Lula passou por várias instâncias antes do STF. Bolsonaro, não. Isso entristece e preocupa. Temos esperança na pauta da anistia para que se faça justiça.”
O advogado Dr. Hércules Oliveira defendeu a condenação sob o ponto de vista técnico.
“Há elementos mais do que claros para a condenação. Mesmo o voto contrário do ministro Luiz Fux reconheceu fatos relevantes, o que mostra a consistência do processo”, explicou.
Sobre uma eventual prisão, o jurista ponderou: “Bolsonaro, pelas condições de saúde, preenche os requisitos para prisão domiciliar. É uma questão humanitária, que deveria valer para todos.”
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