24/07/2026
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Estiagem preocupa e compromete produção rural em Feira de Santana

Produtores e especialistas destacam perdas provocadas pela falta de chuva e defendem planejamento para enfrentar os impactos das mudanças climáticas

Victória SilvaRedação: Victória Silva
Reportagem: Bárbara Barreto
quinta-feira, 23 de julho de 2026 às 16:05
Imagem de Estiagem preocupa e compromete produção rural em Feira de Santana
Foto Wevelin Monteiro - Arquivo

O Dia do Agricultor, celebrado em 28 de julho, ganha neste ano um tom de preocupação em Feira de Santana. Em vez de comemorações, agricultores familiares voltam as atenções para os impactos da estiagem, que já comprometeu o plantio em diversas comunidades rurais do município e ameaça a renda de milhares de famílias.

Apesar dos avanços conquistados nos últimos anos, como a ampliação dos espaços de comercialização dos produtos da agricultura familiar, a exemplo da 5ª Feira da Agricultura Familiar, realizada na cidade, o cenário atual é considerado um dos mais desafiadores para o setor.

A baixa quantidade de chuvas registrada ao longo de 2026 prejudicou o preparo do solo em várias localidades. Em alguns distritos, sequer foi possível iniciar o plantio. A situação também afeta a criação de animais, já que muitas aguadas permaneceram secas e as pastagens não se desenvolveram.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar de Feira de Santana (Sintrafs), Adriana Lima, afirma que os efeitos do fenômeno El Niño já começam a ser sentidos, mesmo antes da sua atuação mais intensa, prevista para os próximos meses.

"A diminuição das chuvas em nosso município foi muito grande e estamos sofrendo diversos desafios. Esse é um momento para reunir agricultores, universidades e o poder público para construir diretrizes de convivência com essa realidade", destacou.

Segundo Adriana, as perdas na produção já são inevitáveis.

"A quantidade de chuva foi insuficiente. A perda, de fato, em nosso município já aconteceu. Muitos agricultores conseguiram plantar, mas muitos nem conseguiram preparar o solo. Estamos enfrentando muita dificuldade no meio rural."

Ela também alerta para os reflexos na pecuária.

"Os animais não têm pastagem. Vamos viver dias difíceis para a agricultura familiar em todos os distritos do município. Não podemos combater essa situação, mas precisamos buscar medidas para conviver com essa nova realidade."

Mudanças climáticas exigem adaptação

Para a professora de Geografia da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Silvana Lima, a agricultura familiar está entre os setores mais vulneráveis às mudanças climáticas, especialmente no Nordeste, onde a estiagem tende a se intensificar com a atuação do El Niño.

Ela explica que, além da redução das chuvas, o fenômeno pode provocar eventos extremos, alternando longos períodos secos com precipitações intensas.

"A agricultura familiar vem sofrendo com o impacto das estiagens prolongadas. Precisamos repensar as formas de manejo da natureza e fortalecer esse modelo de produção para enfrentar os desafios climáticos."

A pesquisadora ressalta que fatores como o desmatamento e modelos de exploração da terra também agravam os efeitos da seca.

"Quando retiramos a vegetação, perdemos as raízes que ajudam na infiltração da água no solo. Isso aumenta a degradação ambiental e reduz ainda mais a capacidade de enfrentamento das estiagens."

Planejamento para garantir a próxima safra

De acordo com especialistas, o El Niño tem maior probabilidade de atuar entre o fim de agosto e o segundo semestre, podendo se intensificar durante a primavera, entre setembro e novembro. No Nordeste, o fenômeno costuma estar associado à redução das chuvas, elevando o risco de secas prolongadas.

Diante desse cenário, agricultores, pesquisadores e entidades representativas defendem a adoção de estratégias de convivência com o semiárido, investimentos em políticas públicas e ações de planejamento para reduzir os impactos sobre a produção rural.

Em Feira de Santana, o comportamento do clima nos próximos meses será decisivo para definir o desempenho da próxima safra e a sustentabilidade econômica de milhares de famílias que dependem da agricultura familiar.

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