Maria Júlia Rocha e Letícia Maria Amarante alcançaram 900 e 960 pontos na redação e destacam preparo emocional, disciplina e hábito da leitura como fatores decisivos para o sucesso no exame.
As notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), divulgadas na última sexta-feira (16), começaram a revelar histórias de dedicação, disciplina e superação. Em Feira de Santana, duas estudantes chamaram atenção pelo excelente desempenho na redação: Maria Júlia Rocha Torres, estudante do Colégio Gastão Guimarães, que obteve 900 pontos, e Letícia Maria Amarante Torres, aluna do Colégio Anísio Teixeira, que alcançou 960 pontos.
O Enem é a principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil, permitindo o acesso a universidades públicas e privadas, além de programas de financiamento e bolsas de estudo. O exame também é aceito por diversas instituições internacionais.
Durante entrevista ao programa De Olho na Cidade, as estudantes destacaram que, além do estudo constante, o preparo emocional foi determinante para o bom resultado.
“A receita, além de muita dedicação aos estudos, é ter preparo mental. Existe um peso gigantesco quando você está ali, porque parece que o seu futuro está naqueles papéis. Se você não estiver preparada emocionalmente, isso quebra muita gente”, afirmou Letícia.
Maria Júlia concordou e reforçou a importância da organização e do controle do tempo durante a prova.
“A gente estuda o ano inteiro, mas a pressão ali é muito grande. Se você não souber administrar o tempo, a redação não sai como deveria. Ela exige muito raciocínio, argumentação e organização”, destacou.
Maria Júlia contou que manteve uma rotina intensa ao longo do ano, conciliando escola, atividades extracurriculares e cursinho preparatório.
“Eu estudava das sete às três da tarde, fazia oficina na escola e, à noite, das sete às nove, participava de um cursinho para o Enem oferecido pelo Governo do Estado. Foi cansativo, mas, na hora da prova, eu pensei: eu fiz minha parte, agora é manter a calma”, relatou.
Letícia também ressaltou que o terceiro ano do ensino médio exige equilíbrio, já que nem sempre é possível se dedicar exclusivamente ao Enem.
“A gente tem colégio, outras responsabilidades, então não dá para se entregar cem por cento., mas quando você dá o seu máximo e chega lá com calma, a recompensa vem”, afirmou.
O tema da redação do Enem deste ano foi “Perspectivas acerca do envelhecimento da sociedade brasileira”, o que surpreendeu as estudantes.
“Quando eu vi a palavra ‘perspectivas’, eu levei um susto. Passei os primeiros minutos lendo os textos motivadores para entender como abordar, mas fui lembrando das aulas e consegui desenvolver, pensando não só nos problemas, mas em como isso afeta a sociedade hoje”, explicou Letícia.
Maria Júlia também relatou o impacto inicial ao se deparar com o tema.
“No começo foi um baque, mas quando você tem preparo mental, consegue abrir a mente. ‘Perspectivas’ é uma palavra que amplia muito as possibilidades de abordagem, o que acabou sendo um diferencial”, avaliou.
Curiosamente, ambas já haviam trabalhado o tema do envelhecimento ao longo do ano, o que contribuiu para a construção dos argumentos.
As estudantes também destacaram que o repertório sociocultural foi essencial para alcançar notas altas, especialmente a partir do hábito da leitura.
“Nunca decorei modelos prontos, mas sempre construí repertórios. Li bastante, usei autores como Clarice Lispector. Sem leitura, eu não teria base para desenvolver a redação”, afirmou Letícia.
Maria Júlia ressaltou que qualquer referência pode ser usada, desde que seja bem aplicada.
“Qualquer livro, filme ou música pode virar repertório se você souber relacionar ao tema. Usei desde um programa da Uefs de terceira idade até o filme ‘Up – Altas Aventuras’. O importante é que seja legítimo e bem conectado ao argumento”, explicou.
As estudantes deixaram uma mensagem de incentivo para quem não atingiu o resultado esperado.
“O principal conselho é ter calma. Sempre existe um próximo Enem. Não desistir é essencial”, disse Letícia.
Maria Júlia reforçou que o acesso ao ensino superior é possível tanto para alunos da rede pública quanto da privada.
“Eu sou de escola pública e a Letícia de escola privada, e nós conseguimos. Existem cursos pagos e gratuitos, programas de apoio. O importante é não desistir e buscar oportunidades”, afirmou.
Maria Júlia, filha da jornalista Andreia Rocha, revelou estar em dúvida sobre a escolha profissional.
“Já pensei em jornalismo, minha mãe ficou feliz, mas também estou considerando farmácia. Ainda estou decidindo”, contou.
Já Letícia tem o futuro bem definido.
“Desde pequena eu sonho com engenharia mecânica. Pretendo tentar a UFBA ou a UFRB. Agora estou aguardando o SISU”, disse.