Governo norte-americano critica decisão do STF, enquanto acusação aponta tentativa de pressionar magistrados e influenciar julgamento de Jair Bolsonaro
A condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) provocou repercussão internacional e levou o governo dos Estados Unidos a se manifestar publicamente sobre o caso. Em nota divulgada nesta semana, o Departamento de Estado norte-americano questionou a decisão da Corte brasileira e afirmou que divergências políticas devem ser resolvidas por meio do voto popular.
O posicionamento foi apresentado por um porta-voz do órgão, que classificou a sentença como um exemplo de uso do sistema judicial contra adversários políticos. Segundo a manifestação, processos judiciais não devem substituir o debate democrático e eleitoral.
A decisão do STF foi tomada na última terça-feira (16), quando a Primeira Turma da Corte decidiu, de forma unânime, condenar Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto. Os ministros concluíram que o ex-parlamentar atuou para constranger integrantes do Judiciário e buscou apoio de autoridades norte-americanas para pressionar o Brasil durante o andamento do processo que investiga o ex-presidente Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe de Estado.
A discussão ganhou novos contornos após uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro internacional realizado em Évian, na França. Ao comentar o episódio, Trump demonstrou desconhecimento dos detalhes do processo e aparentemente confundiu Eduardo Bolsonaro com o senador Flávio Bolsonaro.
Ao responder a uma pergunta de uma jornalista brasileira, o presidente afirmou ter recebido informações de que um integrante da família Bolsonaro estaria sendo alvo de prisão por declarações feitas nos Estados Unidos. Ele também mencionou que o político estaria em posição favorável nas pesquisas eleitorais.
Relator da ação, o ministro Alexandre de Moraes sustentou que o conjunto de provas apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) demonstrou a existência de atos destinados a interferir no andamento de processos judiciais.
De acordo com a acusação, Eduardo Bolsonaro teria mantido contatos e promovido articulações junto ao governo norte-americano com o objetivo de criar constrangimentos ao Supremo Tribunal Federal. Entre as medidas mencionadas estariam pedidos de sanções internacionais contra ministros da Corte e ações que poderiam gerar impactos diplomáticos para o Brasil.
A PGR também argumentou que essas iniciativas buscavam beneficiar Jair Bolsonaro, evitando uma eventual condenação no processo relacionado aos atos antidemocráticos investigados pela Justiça. Para sustentar a denúncia, foram apresentados conteúdos de redes sociais, entrevistas e trocas de mensagens atribuídas ao ex-presidente e ao filho.
Sem contratar advogados particulares para o caso, Eduardo Bolsonaro foi assistido pela Defensoria Pública da União. A defesa argumentou que não existiriam elementos suficientes para comprovar a prática do crime apontado pela acusação.
Além de pedir a absolvição, os defensores alegaram a existência de irregularidades processuais e solicitaram a anulação da ação. Entre os questionamentos apresentados está a participação do ministro Alexandre de Moraes no julgamento do processo.