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Ex-delegada da DEAM por 16 anos reforça importância da denúncia para combater violência contra a mulher

Advogada e especialista em direitos humanos destaca papel da conscientização, da rede de apoio e da aplicação da Lei Maria da Penha

Redação:
quinta-feira, 05 de março de 2026 às 20:56
Imagem de Ex-delegada da DEAM por 16 anos reforça importância da denúncia para combater violência contra a mulher

A advogada e ex-delegada da Polícia Civil, Martine Velloso, que esteve à frente da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Feira de Santana por 16 anos, destacou a importância da denúncia e da conscientização para o enfrentamento da violência contra a mulher. Com formação em Direito e pós-graduação em Direitos Humanos, ela afirma que sua trajetória profissional sempre esteve ligada à defesa dos direitos femininos.

Martine relembrou o período em que atuou na Polícia Civil e ressaltou o compromisso com a aplicação da Lei Maria da Penha e a orientação das vítimas sobre os diferentes tipos de violência.

“Foi um grande período em que me dediquei à defesa e à conscientização das mulheres, à aplicação da Lei Maria da Penha e a mostrar que elas nunca devem se submeter a qualquer tipo de violência”, afirmou.

Segundo ela, mesmo após deixar a função de delegada e seguir na advocacia, o compromisso com essa causa permanece. Martine reforça que a denúncia é o primeiro passo para romper o ciclo de agressões.

“É necessário que os grupos, as instituições, a DEAM, a OAB e também a imprensa continuem publicizando e falando da real importância do registro da queixa ao primeiro sinal de violência. Isso é fundamental para que a mulher busque sua defesa”, destacou.

Martine explicou que o interesse pela defesa das mulheres começou ainda antes de assumir o cargo de delegada. Após ingressar na Polícia Civil por meio de concurso, ela buscou especialização na área e também atuou no ensino acadêmico.

“Antes mesmo de ser delegada eu já advogava. Depois que passei no concurso, me especializei, fiz mestrado e lecionei em faculdades. Sempre buscando essa defesa e essa conscientização para que as mulheres saibam que precisam ser respeitadas”, pontuou.

A advogada afirma que sua formação em direitos humanos contribuiu diretamente para fortalecer sua atuação na área, principalmente no desenvolvimento de pesquisas e na participação em iniciativas voltadas à proteção feminina.

“Todas as pesquisas que desenvolvi perpassam por isso, pelos grupos de apoio, pelos movimentos sociais e por ações de conscientização. O trabalho da OAB, da Defensoria Pública, do Ministério Público e de tantas instituições é fundamental para que as mulheres estejam cada vez mais conscientes e busquem sua defesa”, explicou.

Martine também comentou sobre um equívoco comum relacionado a mulheres que atuam na defesa de direitos femininos, como a ideia de que essa luta estaria distante da vida familiar.

Casada e mãe de quatro filhos, ela afirma que é possível conciliar todas as dimensões da vida.

“Esse é um paradigma que não tem nada a ver. Sou casada há muitos anos, tenho quatro filhos e é perfeitamente possível conciliar tudo. A mulher pode ser mãe, esposa, profissional e continuar defendendo os direitos das mulheres”, disse.

Ela ressalta que o movimento pela igualdade não busca impor comportamentos, mas garantir liberdade de escolha.

“Não se trata de impor nada. Trata-se de dar opção para que a mulher faça no tempo dela, do modo dela, conforme a vontade dela. O importante é que ela tenha o direito de gerir a própria vida e seja respeitada”, afirmou.

Ao falar sobre os desafios atuais no combate à violência contra a mulher, Martine reforçou que a denúncia continua sendo o instrumento mais importante para garantir proteção às vítimas.

“Eu acho que o mais importante de tudo é que as mulheres continuem denunciando. Só quando essa violência vem à tona é que podem ser tomadas todas as providências para garantir defesa e proteção”, ressaltou.

Ela também lembrou que existe uma rede de apoio formada por diversos órgãos e profissionais preparados para atender as vítimas.

“Há toda uma rede com psicólogos, assistentes sociais, Defensoria Pública, Ministério Público e outros órgãos que trabalham juntos para defender essas mulheres. O mais importante é que a violência seja conhecida, que haja denúncia”, concluiu.

*Com informações do repórter JP Miranda

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