Artistas feirenses destacam tradições populares, cultura urbana e patrimônio histórico durante lançamento do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana
Além do lançamento oficial da 19ª edição do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (FLIFS), o público que esteve no Centro Cultural do Sesc também pôde visitar a exposição "O Chamado da Rua: Poéticas do Bando", reunindo obras de artistas feirenses inspiradas nas manifestações culturais da cidade.
A mostra dialoga diretamente com o tema do festival deste ano, "Feira é o Mundo", valorizando elementos históricos, populares e contemporâneos que ajudam a construir a identidade cultural de Feira de Santana.
Responsável pela identidade visual do FLIFS 2026, o artista e ilustrador Siddhartha Gautama explicou que sua criação nasceu de pesquisas anteriores envolvendo o cordel e diferentes linguagens visuais.

"Essa proposta surgiu de um trabalho que eu já vinha desenvolvendo no Cordel da Caixa d'Água. Misturei referências do cordel, da Pop Art e de gravuras antigas para criar uma linguagem que representasse o imaginário de Feira de Santana, que é um verdadeiro caldeirão de cultura."
Segundo o artista, o desafio foi traduzir visualmente o tema "Feira é o Mundo", destacando a cidade como ponto de encontro entre diferentes culturas.
"Feira de Santana realmente é um mundo. Por ser um grande entroncamento, reúne pessoas, culturas e histórias. Trouxe ícones como o feirante, Maria Quitéria e Lucas da Feira, além de estabelecer um diálogo entre passado e presente, mostrando como a cidade continua se transformando sem perder sua identidade."
Entre os artistas participantes da exposição está Felipe Alaído, que apresentou três obras inspiradas no tradicional Bando Anunciador.
O artista explicou que buscou retratar diferentes dimensões da manifestação popular.

"Quis trazer esse movimento cultural de rua, que é secular e muito importante para Feira de Santana. Nas obras apresento as dimensões religiosa, profana e política do Bando, com personagens históricos, cordelistas, brincantes e elementos ligados à devoção a Senhora Sant'Ana."
Para Felipe, participar da exposição representa o reconhecimento da produção artística local.
"É uma alegria enorme expor ao lado de tantos artistas importantes da cidade e contribuir para preservar essa memória cultural."
A artista Elis Santos apresentou pinturas e esculturas inspiradas nos personagens tradicionais do Bando Anunciador.
Segundo ela, a proposta foi representar a riqueza visual da manifestação.

"Retratei o Beco da Energia, a igreja, o Mercado de Arte e outros elementos que fazem parte desse percurso tão marcante. Nas esculturas também procurei representar esses personagens históricos."
Elis comemorou a oportunidade de expor pela primeira vez no Sesc.
"Estou muito feliz. Já participei de exposições em outros espaços, mas essa é a primeira vez aqui no Sesc. Ver o público apreciando meu trabalho é uma emoção muito grande."
Já o artista Matheus Chão de Palha levou para a exposição uma instalação inspirada na antiga Lavagem da Lenha, tradição que antecedia o início do Bando Anunciador.
A obra convida o público a interagir diretamente com a instalação.

"A Lavagem da Lenha acontecia antes do Bando começar, quando as pessoas levavam a lenha para a fogueira. Tentei resgatar essa memória por meio de uma obra interativa, convidando as pessoas a reviver esse momento."
Segundo o artista, o objetivo é despertar a lembrança de uma tradição que acabou se perdendo ao longo dos anos.
"Quem sabe a gente possa reacender essa fogueira, trazendo novamente essa memória para as novas gerações."
Matheus também destacou a satisfação em dividir espaço com artistas de diferentes linguagens.
"Estou muito feliz em expor ao lado de artistas que admiro. Temos gravura, grafite, cerâmica, pintura e eu trago a marcenaria. É uma exposição muito diversa e que convida o público a participar das obras."
A exposição integra a programação de lançamento do FLIFS 2026.



