Com mais de 80 mil empresas ativas e média de 230 novos CNPJs abertos por mês, município aposta em qualificação profissional e inovação
Feira de Santana segue consolidada como um dos principais polos econômicos da Bahia e referência regional em comércio, serviços, logística e indústria. Para manter esse protagonismo diante das transformações do mercado e dos desafios econômicos, a Prefeitura tem ampliado políticas voltadas ao fortalecimento do ambiente de negócios, incentivo ao empreendedorismo e atração de novos investimentos.
Em entrevista ao Jornal do Meio Dia, a secretária municipal de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, Márcia Ferreira, destacou que o empreendedorismo é a principal característica da cidade e o motor do seu crescimento.

"O empreendedorismo é o perfil, é o espelho de Feira de Santana. É a matriz de crescimento da nossa cidade", afirmou.
Segundo a secretária, a posição geográfica privilegiada continua sendo um dos principais diferenciais de Feira de Santana. O município é cortado por três rodovias federais e cinco estaduais, facilitando a logística e atraindo empresas de diversos segmentos.
Ela ressalta, porém, que apenas a localização não seria suficiente para garantir a competitividade.
"O que resolve é você ter toda a cadeia do Sistema S dentro da cidade, com Sebrae, Senai, Sesi, Senac, Sesc, Sest Senat. Isso forma profissionais e dá segurança para quem deseja investir em Feira."
Márcia também destacou a infraestrutura da cidade nas áreas de educação, saúde, hotelaria, gastronomia e serviços, além das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico.
Os microempreendedores individuais (MEIs) e microempresas formam a base da economia feirense. De acordo com a secretária, Feira possui atualmente mais de 80 mil empresas ativas, sendo cerca de 70% compostas por MEIs e microempreendedores.
Além disso, o município conta com aproximadamente 157 mil trabalhadores com carteira assinada.
"Um quarto da população tem carteira assinada na nossa cidade. Isso demonstra a força da nossa economia e das empresas que acreditam em Feira de Santana."
Ela destacou que a Prefeitura mantém programas de qualificação profissional em parceria com instituições públicas e privadas e atua por meio da Casa do Trabalhador, que oferta, em média, 400 vagas de emprego por dia.
"A empresa que quer investir em Feira tem a certeza de que encontrará profissionais capacitados."
Entre as ações voltadas aos pequenos empreendedores está um edital para estimular a formalização dos comerciantes instalados no Shopping Cidade das Compras.
Segundo Márcia, Feira de Santana foi a única cidade baiana selecionada para participar de um projeto-piloto desenvolvido em parceria com a Sudene, BID, Banco do Nordeste e Enap.
"É um edital para orientar e fomentar a formalização desse microempreendedor. O CNPJ é importante para regularizar a empresa e permitir que ela concorra no mercado."
A secretária lembrou ainda que o MEI possui benefícios tributários e reforçou que a formalização amplia as oportunidades de crescimento dos pequenos negócios.
Para quem deseja abrir ou expandir um negócio, a Prefeitura oferece atendimento por meio da Sala do Empreendedor, que ganhará uma nova unidade no Shopping Cidade das Compras.
O espaço disponibiliza orientação técnica, acesso a linhas de crédito, cursos de qualificação e consultorias.
"Temos agentes de desenvolvimento e de crédito, além de programas como o CredBahia e o CredAmigo, que ajudam quem precisa investir no próprio negócio."
A secretaria também mantém parcerias com entidades empresariais como CDL, Associação Comercial e Sindicato do Comércio para identificar demandas do setor produtivo.
Mesmo diante das mudanças provocadas pela reforma tributária e novas exigências legais, o município segue registrando crescimento na abertura de novos negócios.
Segundo Márcia, a média em 2025 é de 230 novas empresas abertas por mês, número que chegou a 250 novos CNPJs somente em junho.
"Sabemos que Feira continua atraindo investimentos pela localização estratégica e pela disponibilidade de mão de obra qualificada."
Ela citou como exemplo a inauguração recente de uma rede supermercadista, que contratou cerca de 300 trabalhadores, além da chegada de novas empresas do setor logístico.
Questionada sobre os impactos do comércio eletrônico, a secretária afirmou que o e-commerce já faz parte da realidade econômica e que os empresários precisam integrar as vendas físicas e digitais.
"Quem ainda não fez isso precisa fazer. O e-commerce veio para ficar."
Ela observou que o crescimento dos bairros também modificou os hábitos de consumo da população.
"Hoje os bairros funcionam como pequenas cidades. O consumidor encontra praticamente tudo perto de casa."
Ao mesmo tempo, defendeu políticas nacionais que ampliem a competitividade do comércio brasileiro frente aos produtos importados.
Outro destaque apresentado foi o fortalecimento do ecossistema de inovação de Feira de Santana.
A secretária citou iniciativas como o Inova Feira, o Hub Feira e a atuação de mais de 50 startups, que desenvolvem soluções para empresas locais.
"Os desafios das empresas precisam ser enfrentados com inovação. Temos startups preparadas para oferecer soluções para a indústria, comércio e serviços."
Márcia reforçou que Feira de Santana permanece aberta para novos empreendimentos e destacou os incentivos fiscais disponíveis para o setor industrial instalado no CIS Norte.
"Quem quer investir em Feira pode nos procurar. O desenvolvimento acontece quando setor público e iniciativa privada trabalham em harmonia."
A secretária também convidou a população para participar do Qualiturismo, curso gratuito voltado para qualificação no atendimento turístico e hoteleiro, com inscrições abertas até o dia 17.
"Tudo o que falamos aqui é gratuito e busca melhorar o atendimento e fortalecer ainda mais a economia da nossa cidade."