Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, segue como exemplo de que é possível unir desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental.
Feira de Santana tem se consolidado como referência na gestão de resíduos sólidos na Bahia. Enquanto 75% dos municípios do estado ainda destinam o lixo a lixões, a cidade conta com uma Central de Tratamento de Resíduos operada pela empresa Sustentare Saneamento S/A, que garante o descarte ambientalmente correto dos resíduos e contribui para a preservação dos recursos naturais.
Em entrevista ao Jornal do Meio Dia, o superintendente regional da Sustentare em Feira de Santana, Sérgio Ojer, explicou que o município está em situação de destaque no cenário baiano e nacional.
“Feira de Santana está muito bem nesse sentido. Dos 417 municípios da Bahia, cerca de 75% ainda usam lixões. Nosso aterro é um empreendimento licenciado, com toda a impermeabilização e monitoramento exigidos pelos órgãos ambientais”, afirmou.

Segundo o superintendente, a principal dificuldade enfrentada pelos municípios menores é o alto custo para a implantação de aterros sanitários.
“Um aterro sanitário é um empreendimento muito caro. A impermeabilização com manta e argila, o sistema de drenagem, todo o controle ambiental exigem investimentos altos. Muitos municípios não têm renda suficiente para isso e acabam dependendo da iniciativa privada ou de consórcios regionais”, explicou.
Ojer destacou que há um movimento crescente para que cidades vizinhas enviem seus resíduos para Feira de Santana, em cumprimento à determinação do Ministério Público e à Política Nacional de Resíduos Sólidos, que proíbe o uso de lixões.
“Todos os gestores públicos querem fazer o certo. Tivemos uma reunião com o Ministério Público, Tribunal de Contas e órgãos ambientais, e há um esforço coletivo para viabilizar essa destinação correta. A Sustentare, por exemplo, tem que cuidar do aterro não apenas durante o uso, mas também por 20 anos depois do encerramento das atividades, conforme determina o licenciamento”, pontuou.
Apesar dos avanços, a coleta seletiva ainda é um grande desafio. De acordo com dados nacionais, apenas 8% do lixo produzido no Brasil é reciclado, o que representa uma perda de cerca de R$ 38 bilhões por ano que poderiam ser revertidos em receita e oportunidades para os municípios e catadores.
“Feira já tem uma coleta seletiva feita pela prefeitura e por associações de catadores, que conseguem gerar renda para muitas famílias. Mas o grande problema ainda é a separação dos resíduos em casa. A melhor coleta seletiva é na fonte”, ressaltou. “Se cada um de nós separasse o lixo corretamente já faríamos uma enorme diferença. As latinhas, por exemplo, raramente chegam ao aterro porque têm valor agregado e são recicladas, mas outros materiais como papel e plástico ainda chegam em grande volume”, completou.
O superintendente enfatizou também a importância da educação ambiental como ferramenta de transformação social e mudança de hábitos.
“Sempre que realizamos ações de educação ambiental nas escolas, vemos resultados positivos. As crianças aprendem e levam esse conhecimento para casa. É um trabalho de base que transforma a relação das famílias com o meio ambiente”, afirmou.
Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, segue como exemplo de que é possível unir desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental. A expectativa é de que, nos próximos anos, mais municípios da região adotem o modelo de gestão implantado pela Sustentare, fortalecendo a coleta seletiva e ampliando os benefícios ambientais e sociais.
“Cuidar do lixo é cuidar do futuro. Quando tratamos corretamente os resíduos, estamos preservando o planeta e garantindo qualidade de vida para as próximas gerações”, concluiu Sérgio Ojer.