Cidade aparece entre os pontos com maior número de sinistros envolvendo motos nas BRs 324 e 116
Feira de Santana, um dos principais entroncamentos rodoviários do país, volta a aparecer no centro das preocupações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) quando o assunto é segurança no trânsito. Os trechos das BRs 324 e 116 que cortam o município estão entre os locais com maior número de sinistros envolvendo motocicletas na Bahia, reforçando um alerta para quem circula diariamente pela cidade e região.
Dados da PRF mostram que, entre janeiro e dezembro do ano passado, foram registrados 1.658 sinistros com motocicletas nas rodovias federais baianas, deixando 1.863 pessoas feridas e 179 mortas. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, já foram contabilizados 555 sinistros, com 655 feridos e 55 mortes, números que representam quase metade das ocorrências nas rodovias federais do estado e mais de 30% das mortes no trânsito.
A preocupação ganha ainda mais relevância em Feira de Santana devido ao intenso fluxo de veículos pesados, ônibus e caminhões que cruzam diariamente as BRs que passam pelo município. Segundo a PRF, as BRs 324, 116 e 101 lideram o ranking de acidentes envolvendo motocicletas, sendo os trechos que passam por Feira, Salvador e Vitória da Conquista os mais críticos.
Outro dado que chama atenção é o perfil dos envolvidos: 75% dos motociclistas envolvidos nos sinistros são homens, enquanto 544 condutores flagrados em ocorrências não possuíam habilitação.
De acordo com a PRF, entre as principais causas dos acidentes estão entrar na via sem observar outros veículos, responsável por 290 registros, além da falta de reação do condutor e da reação tardia ou ineficiente, situações frequentemente associadas ao uso do celular e à distração ao volante.
Em Feira de Santana, onde o tráfego intenso é rotina nas rodovias urbanizadas, outro comportamento considerado de alto risco é a circulação de motos entre caminhões e ônibus. A polícia alerta que o deslocamento de ar provocado por veículos de grande porte e os chamados “pontos cegos” aumentam significativamente o risco de colisões e atropelamentos.
Além disso, trafegar próximo à traseira de caminhões pode impedir tempo de reação em frenagens bruscas e expor motociclistas a materiais que podem cair na pista, como peças, fragmentos de pneus ou até cargas mal acondicionadas.
Outro fator agravante apontado pela PRF é o uso inadequado — ou até a ausência — do capacete. Somente em 2025, foram registradas 3.923 infrações nas rodovias federais da Bahia relacionadas ao não uso do equipamento de proteção por ocupantes de motocicletas.
Em resposta ao cenário, a corporação intensificou fiscalizações em pontos estratégicos das rodovias baianas, inclusive nos trechos de maior movimento em Feira de Santana. As blitzes têm foco na redução de mortes e feridos, com fiscalização direcionada ao uso do capacete, celular ao volante, excesso de velocidade, condução sem habilitação e condições inadequadas dos veículos.
Durante o Maio Amarelo 2026, a campanha nacional traz o tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, com atenção especial aos motociclistas. A proposta é conscientizar motoristas sobre os riscos da invisibilidade no trânsito, especialmente nos pontos cegos e nas situações de distração causadas pela pressa do dia a dia.
A PRF reforça que atitudes como respeitar os limites de velocidade, evitar ultrapassagens proibidas, não dirigir sob efeito de álcool e manter atenção constante podem reduzir significativamente os sinistros e salvar vidas.