Levantamento do IBGE mostra que o município reúne mais de 9 mil produtores rurais e que 55,6% das propriedades são administradas por mulheres
Feira de Santana é a terceira cidade do Brasil com o maior número de produtores rurais, de acordo com dados do Censo Agropecuário de 2017, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O município reúne 9.191 produtores rurais e também lidera um importante indicador na Bahia: 55,6% dos estabelecimentos agropecuários são administrados por mulheres, o maior percentual do estado.
A participação feminina no campo é apontada como um dos principais diferenciais da agricultura familiar no município. Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Familiar, Adriana Lima, as mulheres assumem um papel de protagonismo tanto na gestão das propriedades quanto na produção de alimentos.
"Essas mulheres são protagonistas dos seus lares e das suas propriedades. Elas têm muita criatividade, sabem modificar a propriedade, diversificar a produção e é dali que tiram o sustento por meio dos quintais produtivos. A mulher compreende o potencial da agricultura familiar e a importância de produzir alimentos de maneira agroecológica", destacou.
Além da força feminina, Adriana ressalta que as agricultoras também desempenham papel importante na preservação das práticas sustentáveis e no incentivo às novas gerações. No entanto, ela alerta para um dos maiores desafios enfrentados atualmente: a permanência dos jovens no meio rural.
"Temos uma grande preocupação com a saída da juventude do campo. Falta política pública de fixação, qualidade de vida e condições para que esses jovens permaneçam onde nasceram. Eles querem estudar, se qualificar e continuar no meio rural, mas precisam de oportunidades", afirmou.
A dirigente sindical explica que a ausência de investimentos em infraestrutura, tecnologia e educação voltada para a realidade do campo dificulta a formação de sucessores para a agricultura familiar.
"Hoje existe tecnologia, mas ela ainda chega de forma muito limitada ao campo. Além disso, muitas vezes o jovem estuda conteúdos que não dialogam com a realidade rural. Precisamos de uma educação adequada ao lugar onde vivem e de políticas que garantam condições para permanecerem produzindo", acrescentou.
Os dados do IBGE reforçam essa preocupação. O levantamento mostra que 45% dos produtores rurais brasileiros têm entre 45 e 65 anos, enquanto apenas 29,5% possuem até 45 anos, evidenciando o envelhecimento da população rural.
Apesar das dificuldades, Adriana afirma que o sindicato continua reivindicando políticas públicas para fortalecer a agricultura familiar e garantir a renovação no campo.
"Nós continuamos na luta e na resistência, buscando qualidade de vida para o homem e a mulher do campo. Precisamos de políticas que incentivem a permanência da juventude, porque é o meio rural que produz alimentos saudáveis para toda a população."
O levantamento também evidencia a importância da agropecuária para a economia baiana. Em 2017, a Bahia possuía a maior população ocupada no setor agropecuário do Brasil, com aproximadamente 2,1 milhões de trabalhadores, o equivalente a 13,9% de toda a força de trabalho rural do país.
Para atualizar esse cenário, o IBGE informou que realizará uma nova edição do Censo Agropecuário em 2027, quando serão levantadas informações atualizadas sobre a produção rural e o perfil dos trabalhadores do campo em todo o Brasil.