Levantamento da Serasa aponta que cerca de 44% da população feirense está com o nome negativado. Especialista alerta para negociação antes que a dívida vire "bola de neve".
O novo Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa mostra que o crescimento da inadimplência voltou a acelerar no Brasil após a desaceleração registrada em maio. Na Bahia, são mais de 5,19 milhões de consumidores com o nome negativado. Em Feira de Santana, o número ultrapassa 293 mil pessoas, o equivalente a cerca de 44% da população do município.
Os brasileiros acumulam atualmente 345 milhões de dívidas em aberto, que somam mais de R$ 579 bilhões. Em média, cada consumidor inadimplente deve o equivalente a quatro vezes o salário mínimo, enquanto metade da população adulta do país está com restrições no CPF.
Segundo a porta-voz da Serasa, Laís Kiyusato, o aumento da inadimplência na Bahia acompanha uma tendência observada em todo o país e reflete o impacto das condições econômicas sobre o orçamento das famílias.
"O aumento na Bahia acompanha uma tendência nacional, refletida pela combinação de fatores macroeconômicos que vêm pressionando o orçamento das famílias. Inflação, juros altos e o uso recorrente do cartão de crédito para despesas do dia a dia contribuem para esse cenário."
Apesar da alta, a especialista destaca que o ritmo de crescimento é menor do que o registrado no início do ano.
"O que vale destacar é que, com essa alta, o ritmo de crescimento segue mais lento do que no início do ano. Isso reforça a importância de manter as contas organizadas e antecipar a negociação dos débitos para evitar o efeito bola de neve."
De acordo com a Serasa, a concentração de consumidores negativados em cidades como Salvador e Feira de Santana é esperada, já que são os maiores polos populacionais e econômicos da Bahia.
Entre os principais fatores que levam ao endividamento estão a perda de renda e o desemprego.
"Quando todos esses elementos se combinam, a margem que o consumidor tem para honrar os compromissos financeiros se estreita e o atraso se torna mais provável."
O levantamento mostra que as dívidas com bancos e cartões de crédito representam 32,2% do total de débitos em aberto. Em seguida aparecem as financeiras (22,7%) e o varejo (14,4%).
Segundo Laís, o cartão de crédito e o cheque especial exigem atenção especial por causa das altas taxas de juros.
"O cartão de crédito e o cheque especial concentram os maiores riscos porque têm os juros mais altos do mercado. Quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura, entra no crédito rotativo e a dívida cresce muito rapidamente, mesmo sem novas compras."
Ela recomenda que esse tipo de dívida seja priorizado no momento da negociação.
A pesquisa aponta que a faixa etária entre 41 e 60 anos concentra o maior número de inadimplentes. No entanto, o crescimento mais acelerado ocorre entre pessoas com mais de 60 anos.
"É um grupo que ampliou significativamente sua participação na última década, em parte porque está mais exposto ao ambiente digital e aos riscos de fraude."
Outro dado que chama a atenção é a mudança no perfil dos consumidores negativados. Pela primeira vez, as mulheres passaram a representar a maioria entre os inadimplentes.
"Esse movimento está associado ao fato de muitas mulheres serem as principais responsáveis pelas contas do lar."
Para a porta-voz da Serasa, negociar a dívida continua sendo a melhor alternativa para quem enfrenta dificuldades financeiras.
"Negociar uma dívida sempre será o melhor caminho, mesmo que não seja possível quitar tudo de uma vez. O consumidor pode parcelar o débito em condições compatíveis com o orçamento e interromper o crescimento da dívida com juros e multas."
Ela ressalta, porém, que o acordo só é eficaz se as parcelas realmente couberem no orçamento familiar.
"O mais importante é que a parcela acordada seja compatível com a renda para que o acordo seja cumprido até o fim, já que um acordo não pago pode levar novamente à negativação."