Adson Damasceno integra equipe responsável pelo suporte aos sistemas de acesso ao estádio em Houston
Enquanto milhares de torcedores acompanham a Copa do Mundo das arquibancadas, um feirense vive o evento por um ângulo diferente: nos bastidores da organização da FIFA. Auditor de Tecnologia da Informação do Tribunal de Contas de Sergipe e ex-morador dos bairros Sobradinho e SIM, em Feira de Santana, Adson Vinicius Oliveira Damasceno integra a equipe de voluntários responsável pelo suporte aos sistemas de controle de acesso ao estádio em Houston, nos Estados Unidos.
Apesar de o trabalho ser voluntário, ele destaca que a responsabilidade é enorme.
"Está sendo uma experiência incrível. Apesar de ser um trabalho voluntário, a responsabilidade é muito grande, porque estamos falando de um dos maiores eventos esportivos do mundo."
Formado em Ciência da Computação, Adson atua na área denominada Ticket Resolution, oferecendo suporte técnico aos sistemas utilizados no controle de acesso de torcedores, imprensa e delegações.
"Muita gente pensa que a gente fica conferindo ingresso, mas, no meu caso, fico nos bastidores dando suporte técnico. Quando surge alguma falha no sistema que possa atrasar a entrada de torcedores, imprensa ou das delegações, nossa equipe atua para resolver o mais rápido possível."
Segundo ele, o objetivo é garantir que toda a operação funcione sem interrupções.
"A ideia é que a experiência de quem chega ao estádio seja sempre a melhor possível. É um trabalho que exige muita atenção, porque qualquer minuto de atraso pode impactar toda a operação."

Esta é a quarta participação de Adson em eventos da FIFA. Ele começou como voluntário na Copa das Confederações de 2013, em Salvador, participou da Copa do Mundo de 2014 no Brasil e também esteve na Rússia. Apenas a edição do Catar ficou de fora por causa de um problema de saúde.
"A FIFA realiza vários eventos além da Copa do Mundo. Tem Mundial Sub-20, Sub-17, feminino, futsal. Eu comecei na Copa das Confederações e desde então procuro participar sempre que possível."
Ao longo das competições, ele passou por diferentes áreas, como mídia e tecnologia, ampliando a experiência profissional.
"É sempre muito gratificante participar. Trabalhamos ao lado de profissionais de diversos países, aprendemos novas tecnologias, novos processos e fazemos um networking muito importante."

Participar do programa de voluntariado da FIFA exige planejamento e dedicação. O processo começa com muitos meses de antecedência e inclui entrevistas, treinamentos e avaliações.
"Quando a gente se inscreve, o processo dura meses. Tem entrevistas, treinamentos e até provas, dependendo da área escolhida."
Para esta edição, Adson escolheu Houston como cidade-sede.
"Eu queria conhecer o Texas e aproveitei a oportunidade. A cidade é muito preparada para receber eventos desse porte."
Ele também destacou a receptividade encontrada durante o torneio.
"Uma coisa que me chamou muita atenção foi a educação e o respeito das pessoas. Isso facilita muito o trabalho dos voluntários."

Ao contrário do que muitos imaginam, a FIFA não custeia integralmente as despesas dos voluntários.
Segundo Adson, nesta edição realizada nos Estados Unidos, a organização oferece alimentação, transporte durante o trabalho e acesso aos jogos, mas os custos com viagem e hospedagem ficam por conta do participante.
"Na Rússia eles ofereceram hospedagem, mas aqui nos Estados Unidos isso não aconteceu para não caracterizar vínculo de trabalho. Eles fornecem alimentação, transporte e acesso aos jogos."
Mesmo assim, ele considera que valeu a pena investir.
"Eu até me surpreendi. Entre passagem e hospedagem, investi cerca de R$ 8 mil."
O trabalho como voluntário segue até o próximo sábado, quando acontece seu último compromisso na competição.

Mesmo trabalhando nos bastidores, Adson conseguiu acompanhar partidas da Seleção Brasileira de perto.
Durante o confronto do Brasil, ele atuou em diferentes posições dentro do estádio, chegando a trabalhar próximo ao gramado.
"Foi uma experiência muito boa. No primeiro tempo fiquei na tribuna de imprensa e, depois, fui para a área atrás dos bancos de reservas. Foi emocionante acompanhar a virada da Seleção e ver a festa da torcida brasileira."
Ele observa que o Brasil continua sendo uma das seleções que mais despertam interesse entre estrangeiros.
"A gente encontra muitas pessoas usando camisas de clubes brasileiros. Nem sempre são brasileiros, mas existe um carinho muito grande pela Seleção."
Apesar do otimismo, ele prefere manter cautela sobre a campanha brasileira.
"Vejo uma evolução da equipe e tenho esperança de que o Brasil conquiste o hexacampeonato, mas ainda com bastante cautela."

Embora atualmente more em Aracaju, onde trabalha como auditor do Tribunal de Contas de Sergipe, Adson afirma que mantém fortes vínculos com Feira de Santana.
"Passei mais de 18 anos em Feira de Santana. Minha família continua morando aí e sempre que posso estou na cidade. Feira mora no meu coração."
Segundo ele, representar o Brasil em um evento da dimensão da Copa do Mundo é motivo de orgulho.
"Fui o único brasileiro convocado para atuar como voluntário internacional aqui em Houston. É uma oportunidade especial de representar o nosso país e contribuir para o sucesso de um evento desse tamanho fazendo aquilo de que mais gosto: trabalhar com tecnologia."
