Segundo ele, o AVC afeta não apenas o paciente, mas todo o núcleo familiar.
No quadro Neuroreabilitação em Pauta do programa Cidade em Pauta, o fisioterapeuta Vinicius Oliveira, da clínica Reabserv, falou sobre “O papel da família na reabilitação após AVC”, tema de grande relevância no mês de conscientização sobre o Acidente Vascular Cerebral.
Vinicius parabenizou os colegas de profissão pelo Dia do Fisioterapeuta, celebrado em 13 de outubro.
“O fisioterapeuta é o profissional que devolve dignidade à vida que foi salva. É aquele que ajuda o paciente a retomar suas funções e a viver com qualidade”, afirmou. Ele lembrou que a fisioterapia foi regulamentada em 1969, após o então presidente Costa e Silva sofrer um AVC.
O fisioterapeuta explicou que o envolvimento da família é essencial para o sucesso da reabilitação.
“O médico, o enfermeiro e o fisioterapeuta passam uma ou duas horas com o paciente, mas a família está ali 24 horas por dia. É ela quem precisa aprender os cuidados básicos, como dar banho, alimentar e posicionar o paciente”, destacou.
Vinicius compartilhou o caso de um jovem que sofreu um grave trauma craniano em um acidente de moto e ficou três meses internado.
“A mãe desse paciente nunca havia passado por uma situação de doença. De repente, se viu responsável por cuidar de um filho em coma, em casa, com traqueostomia e gastrostomia. Isso mostra como a família precisa ser orientada e treinada para participar ativamente da reabilitação”, relatou.
Segundo ele, o AVC afeta não apenas o paciente, mas todo o núcleo familiar. “O AVC é um derrame no cérebro, mas também é um derrame na família. Quando o pai, a mãe ou qualquer provedor sofre um AVC, toda a estrutura familiar se desorganiza. Se essa família não tiver apoio psicológico, espiritual e físico, pode se fragmentar”, alertou.
Vinicius reforçou a importância de procurar profissionais especializados assim que surgirem os primeiros sinais de AVC, como desvio da boca ou dificuldade na fala.
“Muitas famílias, por falta de informação, não reconhecem a gravidade e perdem tempo precioso. É como pegar a estrada errada: se você quer ir para Salvador, não pode pegar a BR-101 sentido Aracaju. Precisa buscar o caminho certo, com os profissionais certos”, comparou.
O fisioterapeuta também falou sobre o tempo médio de recuperação. “A reabilitação neurológica pode ser de curto prazo, até três meses; médio prazo, de três a seis meses; ou longo prazo, acima de seis meses. Há pacientes que vivem em reabilitação há 10, 20 ou até 30 anos”, explicou.
Vinicius ressaltou ainda a importância do apoio emocional e espiritual durante o processo. “A reabilitação é centrada nas pessoas — no paciente, na família, nos profissionais e na comunidade. Ter uma rede de apoio, com psicólogos, líderes religiosos e amigos, faz toda a diferença”, disse.
Encerrando a entrevista, ele deixou uma mensagem de incentivo:
“O processo não é fácil, mas vocês não estão sozinhos. Procurem profissionais de confiança e se dediquem com amor. Os primeiros seis meses são a fase de ouro do AVC, o momento em que o paciente mais precisa de cuidado, carinho e presença da família.”
Vinicius aproveitou para divulgar a Corrida do AVC, que será realizada no dia 26 de outubro, em Feira de Santana, com concentração às 6h30 no Shopping Avenida.
“Nosso objetivo é conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do tratamento adequado do AVC. A Reabserv está promovendo essa corrida para reforçar que informação e cuidado salvam vidas”, concluiu.