29/07/2026
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III Fórum debate violência no trânsito e reforça união entre órgãos para reduzir acidentes em Feira de Santana

Dados do HGCA apontam redução de 4% nos atendimentos por acidentes de trânsito em 2026, mas especialistas alertam que números ainda são preocupantes

Victória SilvaRedação: Victória Silva
Isabel BomfimReportagem: Isabel Bomfim
quarta-feira, 29 de julho de 2026 às 06:16
Imagem de III Fórum debate violência no trânsito e reforça união entre órgãos para reduzir acidentes em Feira de Santana
Foto: Isabel Bomfim

Representantes de órgãos de segurança, saúde, trânsito e entidades da sociedade civil participaram, nesta terça-feira (28), do III Fórum de Vítimas de Violência no Trânsito, realizado no Centro das Indústrias de Feira de Santana (CIFS). O encontro reuniu instituições para discutir estratégias de prevenção e apresentou um panorama atualizado dos acidentes atendidos pelo Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA).

Os dados apresentados durante o fórum mostram que, no primeiro semestre de 2026, o HGCA realizou 2.351 atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito, o equivalente a 16% de todos os atendimentos da unidade, que somaram 15.404 no período. Em comparação com o mesmo intervalo de 2025, houve uma redução de 4% nos atendimentos relacionados ao trânsito.

Entre os principais locais de ocorrência dos acidentes dentro do município, o Centro de Feira de Santana permaneceu na primeira posição nos meses de maio e junho.

Em maio, os maiores registros ocorreram no Centro (73), Avenida Presidente Dutra (56), bairro Tomba (54), Caseb (53) e Cidade Nova (52). Já em junho, o Centro voltou a liderar com 98 ocorrências, seguido da Avenida Presidente Dutra (97), Distrito de Maria Quitéria/São José (75), bairro Tomba (73) e bairro Sim (63).

No levantamento regional, a BR-324 continua sendo o principal local de acidentes que resultam em atendimentos no HGCA, seguida por municípios como Serrinha, Ipirá, Euclides da Cunha, Santa Bárbara e Conceição do Jacuípe.

O presidente do Sicomércio Feira de Santana, Marco Silva, destacou que o trânsito passou a representar um problema de saúde pública e comparou o cenário ao de uma guerra.

Foto: Isabel Bomfim

"Hoje nós temos um grande problema realmente de perda de vidas, perda de produtividade, pessoas adoentadas e muitas coisas são evitáveis. A nossa sociedade está como se estivesse em guerra. A gente não está em guerra, mas os números de pessoas morrendo em acidentes são como se fossem."

Segundo ele, a mudança de comportamento precisa começar desde cedo.

"Estamos trabalhando inclusive para a inclusão da educação para o trânsito na grade curricular. A educação é fundamental, mas também precisamos de fiscalização e punição. As pessoas precisam entender que por trás de cada acidente existem vidas e famílias."

Marco Silva ressaltou ainda que a solução depende de vários fatores.

"Não pode ser só punição, não pode ser só educação, nem apenas melhorias nas vias. É um conjunto de ações."

HGCA aponta mudança nos pontos críticos

A diretora do Hospital Geral Clériston Andrade, Cristiana França, afirmou que os dados indicam que as campanhas de conscientização começam a produzir resultados.

Foto: Isabel Bomfim

"De um ano para outro houve uma redução de 4%. Estatisticamente pode parecer pequena, mas quando pensamos nas vidas preservadas e nas sequelas evitadas, esse número ganha outra dimensão."

Ela explicou que houve mudanças no perfil dos acidentes registrados.

"Quando começamos esse fórum, a Avenida Contorno era o principal ponto de acidentes. Hoje ela continua registrando ocorrências, mas o maior volume passou para o Centro da cidade, além da Avenida Presidente Dutra e do bairro Tomba."

Segundo Cristiana, um dos objetivos do fórum é justamente avaliar quais medidas adotadas pelos diversos órgãos contribuíram para essa redução e definir novas estratégias.

DNIT aposta em duplicação e controle de acessos

O chefe da Unidade Local do DNIT em Feira de Santana, Ricardo Martins, destacou que a duplicação do Anel de Contorno deverá reduzir significativamente os acidentes.

Segundo ele, um dos maiores problemas atuais é o acesso desordenado à rodovia.

Foto: Isabel Bomfim

"Os veículos entram em qualquer ponto da pista. Com a duplicação, teremos vias laterais e acessos organizados, reduzindo os conflitos entre quem entra e quem já está trafegando."

O representante do DNIT informou ainda que estudos estão em andamento para implantação de radares e reforço da sinalização.

"O controle de velocidade, aliado à duplicação e às melhorias na sinalização, deverá diminuir principalmente as colisões laterais."

Polícia Militar reforça fiscalização

O comandante do CPR-L, coronel Michel Müller, destacou que a Polícia Militar participa das ações tanto na conscientização quanto na fiscalização.

Foto: Isabel Bomfim

"O trânsito envolve toda a coletividade. Nosso objetivo é construir um trânsito mais educado, mais gentil, mais funcional e com respeito às regras."

Ele explicou que operações como a Corredores Urbanos intensificam a fiscalização e retiram de circulação veículos apenas quando a legislação prevê essa medida.

Polícia Civil alerta para álcool e direção

O diretor regional Leste da Polícia Civil, delegado Yves Correia, afirmou que grande parte dos acidentes graves continua relacionada ao consumo de bebida alcoólica.

Foto: Isabel Bomfim

"A maior causa continua sendo a combinação entre álcool e direção. A Polícia Civil atua na investigação dos casos de lesão corporal e homicídio culposo, dando resposta à sociedade."

O delegado ressaltou que a ocupação de leitos hospitalares por vítimas do trânsito afeta diretamente toda a população.

"Quando mais de metade dos leitos é ocupada por acidentes de trânsito, uma pessoa que precisa de atendimento de urgência pode não encontrar vaga por causa de uma imprudência."

SMT amplia investimentos em educação

O superintendente municipal de Trânsito, Ricardo Cunha, afirmou que o fórum contribuiu para ampliar as políticas públicas voltadas à segurança viária.

Foto: Isabel Bomfim

"Identificamos que fiscalização é importante, mas educação também. Hoje Feira de Santana investe praticamente o mesmo orçamento em educação para o trânsito e fiscalização, algo inédito."

Ele destacou que a duplicação da Avenida Eduardo Fróes da Mota (Anel de Contorno) deve provocar uma redução expressiva dos acidentes.

Foto: Isabel Bomfim

Fórum busca transformar dados em ações

Criado pela Câmara da Mulher Empresária, o Fórum de Vítimas de Violência no Trânsito reúne instituições públicas e privadas para analisar estatísticas do HGCA e discutir soluções capazes de reduzir acidentes, mortes e sequelas provocadas pela violência no trânsito.

A expectativa dos organizadores é que a integração entre saúde, segurança pública, órgãos de trânsito e sociedade civil fortaleça políticas permanentes de educação, fiscalização, engenharia de tráfego e infraestrutura viária, consolidando uma redução ainda maior dos acidentes nos próximos anos.

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