Banco Central aponta avanço dos atrasos em diferentes modalidades, enquanto juros e endividamento permanecem elevados
O aumento dos atrasos no pagamento de empréstimos voltou a chamar atenção em agosto. A inadimplência das pessoas físicas no crédito livre chegou a 8%, maior percentual já registrado pelo Banco Central desde o início da série histórica, em 2011. O resultado representa alta de 0,2 ponto percentual em relação a julho e de um ponto em comparação com agosto de 2025.
Na prática, o índice significa que, de cada R$ 100 concedidos nessa modalidade, R$ 8 correspondem a operações com atraso superior a 90 dias. Considerando o conjunto das operações de crédito com recursos livres, o indicador ficou em 6,6%.
O cenário também aparece nos diferentes tipos de empréstimo. No cartão de crédito, por exemplo, a inadimplência chegou a 10%, considerando tanto as operações rotativas quanto as parceladas. Apenas no rotativo, o índice avançou de 65,5% para 66,2% em um mês.
O crédito pessoal também apresentou aumento nos atrasos. A inadimplência atingiu 3,8% entre os contratos consignados e chegou a 11% nas operações não consignadas. Nos empréstimos sem garantia, o percentual alcançou 15,6%.
Outro destaque foi o consignado destinado a trabalhadores do setor privado. Em agosto, a inadimplência chegou a 10,6%. Um ano antes, o índice era de 5,2%, praticamente metade do registrado atualmente.
Entre as empresas, a inadimplência no crédito livre ficou em 4,3%, com crescimento de 0,1 ponto percentual em agosto. Segundo Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, o avanço ocorreu em diferentes segmentos do mercado de crédito.
O ambiente de juros elevados ajuda a contextualizar o cenário. A taxa média cobrada das famílias nas operações de crédito livre chegou a 61,7% ao ano em agosto. No cartão rotativo, o custo médio alcançou 444,9% ao ano, enquanto a modalidade parcelada registrou taxa de 192,1%.
Outro indicador acompanhado pelo Banco Central também apresentou alta. O endividamento das famílias chegou a 49,9% em julho, crescimento de 0,2 ponto percentual no mês. Já a parcela da renda comprometida com dívidas permaneceu em 28,7%.
O Banco Central, no entanto, fez uma ressalva sobre a comparação dos números. Segundo a instituição, mudanças nas regras contábeis influenciaram parte do avanço observado na inadimplência. A estimativa é de que aproximadamente metade do crescimento dos índices esteja relacionada à alteração dos critérios de contabilização.