07/10/2026
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Inadimplência das famílias bate recorde e chega a 8% no crédito livre

Banco Central aponta avanço dos atrasos em diferentes modalidades, enquanto juros e endividamento permanecem elevados

Victória SilvaRedação: Victória Silva
terça-feira, 29 de setembro de 2026 às 15:10
Imagem de Inadimplência das famílias bate recorde e chega a 8% no crédito livre

O aumento dos atrasos no pagamento de empréstimos voltou a chamar atenção em agosto. A inadimplência das pessoas físicas no crédito livre chegou a 8%, maior percentual já registrado pelo Banco Central desde o início da série histórica, em 2011. O resultado representa alta de 0,2 ponto percentual em relação a julho e de um ponto em comparação com agosto de 2025.

Na prática, o índice significa que, de cada R$ 100 concedidos nessa modalidade, R$ 8 correspondem a operações com atraso superior a 90 dias. Considerando o conjunto das operações de crédito com recursos livres, o indicador ficou em 6,6%.

O cenário também aparece nos diferentes tipos de empréstimo. No cartão de crédito, por exemplo, a inadimplência chegou a 10%, considerando tanto as operações rotativas quanto as parceladas. Apenas no rotativo, o índice avançou de 65,5% para 66,2% em um mês.

O crédito pessoal também apresentou aumento nos atrasos. A inadimplência atingiu 3,8% entre os contratos consignados e chegou a 11% nas operações não consignadas. Nos empréstimos sem garantia, o percentual alcançou 15,6%.

Outro destaque foi o consignado destinado a trabalhadores do setor privado. Em agosto, a inadimplência chegou a 10,6%. Um ano antes, o índice era de 5,2%, praticamente metade do registrado atualmente.

Entre as empresas, a inadimplência no crédito livre ficou em 4,3%, com crescimento de 0,1 ponto percentual em agosto. Segundo Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, o avanço ocorreu em diferentes segmentos do mercado de crédito.

O ambiente de juros elevados ajuda a contextualizar o cenário. A taxa média cobrada das famílias nas operações de crédito livre chegou a 61,7% ao ano em agosto. No cartão rotativo, o custo médio alcançou 444,9% ao ano, enquanto a modalidade parcelada registrou taxa de 192,1%.

Outro indicador acompanhado pelo Banco Central também apresentou alta. O endividamento das famílias chegou a 49,9% em julho, crescimento de 0,2 ponto percentual no mês. Já a parcela da renda comprometida com dívidas permaneceu em 28,7%.

O Banco Central, no entanto, fez uma ressalva sobre a comparação dos números. Segundo a instituição, mudanças nas regras contábeis influenciaram parte do avanço observado na inadimplência. A estimativa é de que aproximadamente metade do crescimento dos índices esteja relacionada à alteração dos critérios de contabilização.

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