Especialista alerta para sinais de vermelhidão, inchaço, saída de secreção e riscos do uso de receitas caseiras no pós-operatório
Complicações após cirurgias podem parecer simples no início, mas quando não identificadas e tratadas corretamente, podem evoluir para quadros graves. A estomaterapeuta Aquilla Chahinne explicou quais são os principais sinais de infecção em pontos cirúrgicos, os erros mais comuns no pós-operatório e quando é fundamental procurar ajuda especializada.
A especialista destacou que complicações no sítio cirúrgico, como é tecnicamente chamada a área operada. podem ocorrer entre 2% e 5% dos casos após uma cirurgia.
“Essas infecções em sítios cirúrgicos acontecem quando existe uma contaminação que precisa ser tratada. E é fundamental que o paciente esteja atento aos sinais de alerta”, explicou.
Entre os principais sintomas, Aquilla alertou para:
“Qualquer um desses sinais já é um sinal de alerta para infecção e precisa ser acompanhado pelo profissional que realizou a cirurgia”, reforçou.
Segundo a estomaterapeuta, um dos erros mais frequentes no pós-operatório é o retorno precoce às atividades físicas e esforços, antes do tempo indicado pelo médico.
“Se o profissional pede 30 dias de repouso, são 30 dias de repouso. Muitas vezes a pessoa está se sentindo bem e acha que já cicatrizou, mas existem várias camadas envolvidas na cicatrização”, explicou.
Ela destacou que a deiscência, rompimento dos pontos, pode ocorrer do primeiro ao vigésimo dia após a cirurgia.
Outro erro recorrente é o uso de receitas caseiras, como ervas, café ou chás na ferida cirúrgica.
“Aquela abertura nos pontos é uma porta de entrada para bactérias. Muitas vezes nesses produtos existem fungos e bactérias. O risco é a infecção”, alertou.
Aquilla relatou o caso de uma paciente que, após cesariana, utilizou banhos de ervas na incisão e desenvolveu uma infecção grave que levou à abertura completa da ferida operatória.
“Ela precisou de um tratamento avançado para conseguir cicatrizar após a complicação.”
A especialista também explicou que existem diferenças entre cirurgias consideradas “limpas” e “contaminadas”. Em casos como amputações decorrentes de infecções, por exemplo, a ferida pode não receber pontos e cicatrizar por segunda intenção.
“Nesses casos, é ainda mais importante o acompanhamento profissional, porque já existe uma complicação prévia.”
Aquilla orienta que qualquer sinal de infecção deve ser comunicado ao cirurgião responsável. Além das infecções, outras complicações podem surgir, como hematomas e acúmulo de seroma.
“Se existir vermelhidão, saída de líquido, dor intensa ou separação da pele, é preciso procurar o profissional imediatamente.”
Ela também explicou que alguns pacientes apresentam fatores de risco maiores para complicações.
Pacientes diabéticos, com obesidade ou baixa imunidade têm maior probabilidade de desenvolver infecções e dificuldades na cicatrização.
“Diabetes, glicemia elevada, obesidade e uso contínuo de corticoides ou quimioterápicos podem tornar a cicatrização mais lenta e aumentar o risco de complicações.”
Durante a entrevista, ouvintes participaram enviando mensagens, inclusive alertando sobre o uso de pó de café e outros produtos caseiros em ferimentos, prática comum em áreas rurais.
“A ciência já mostra o risco de contaminação. Se existe risco de infecção, não devemos fazer”, frisou.
Aquilla destacou que hoje existem recursos avançados tanto para prevenir quanto para tratar complicações, como a laserterapia, que pode ser utilizada no pós-operatório imediato.
“A laserterapia ajuda a reduzir o processo inflamatório, melhorar a formação de novos vasos, diminuir o inchaço, aliviar a dor e estimular a formação de tecido.”
Segundo ela, o ideal é prevenir. No entanto, caso a complicação já tenha ocorrido, é fundamental buscar atendimento especializado.
“O brasileiro ainda trata mais do que previne. Mas se já complicou, vamos tratar. A abertura dos pontos é uma complicação grave e precisa de acompanhamento adequado.”
A especialista reforçou que cada caso deve ser acompanhado em conjunto com o cirurgião responsável, garantindo segurança e melhor recuperação ao paciente.