10/06/2026
--
De Olho na Cidade
InícioEducação
3 min de leitura

Influenciadores digitais impulsionam mercado editorial e ampliam acesso à leitura no Brasil, aponta pesquisa

Crescimento de novos leitores é impulsionado pelas redes sociais, enquanto especialistas defendem acesso ampliado e formação crítica desde a base educacional

Redação:
terça-feira, 07 de abril de 2026 às 11:26
Imagem de Influenciadores digitais impulsionam mercado editorial e ampliam acesso à leitura no Brasil, aponta pesquisa

O mercado editorial brasileiro registrou crescimento no número de consumidores de livros em 2025, impulsionado, entre outros fatores, pela atuação de criadores de conteúdo literário nas redes sociais. É o que revela levantamento da Câmara Brasileira do Livro (CBL), em parceria com a Nielsen BookData, que aponta que 18% da população acima de 18 anos comprou ao menos um livro no último ano — um aumento de 2 pontos percentuais em relação a 2024, o que representa cerca de 3 milhões de novos leitores.

A pesquisa também destaca o papel das plataformas digitais nesse avanço: 56% dos consumidores afirmam realizar compras por meio das redes sociais, enquanto 22% dizem ser influenciados diretamente por criadores de conteúdo.

A influenciadora literária Lívia Britson reforça esse impacto ao relatar como o conteúdo digital tem contribuído para despertar o interesse pela leitura.

“Às vezes nós criamos conteúdos sobre livros em específico e isso ‘estoura a bolha’ por causa do engajamento, alcançando pessoas com hobbies diferentes e gerando curiosidade”, afirmou.

Segundo ela, esse movimento tem efeitos práticos. “Tenho relato de amiga que não lia mais, mas de tanto ver meus vídeos, voltou a ler, a comprar livros e a consumir o mercado literário”, contou. Para Lívia, o engajamento nas redes ajuda a aproximar novos leitores ao apresentar histórias e personagens de forma envolvente. “Quando a gente cria conteúdo, mostra nossa paixão por aquele livro, e isso motiva as pessoas a querer descobrir de onde vem aquilo”, completou.

A influenciadora explica ainda que adapta o formato dos conteúdos conforme o perfil da obra.

“Quando o livro permite, uso humor e cenas marcantes. Quando não, abordo as problemáticas, para que as pessoas entendam sobre o que a obra trata e decidam se querem ler”, disse.

Apesar do crescimento, desafios ainda persistem. Entre os que não compraram livros em 2025, 35% apontaram o alto preço como principal obstáculo, enquanto 28% citaram a falta de livrarias próximas. Nesse cenário, estratégias para ampliar o acesso tornam-se fundamentais.

Lívia defende iniciativas como descontos e distribuição de conteúdos digitais. “Cupons de desconto ajudam muito, assim como a disponibilização de PDFs, porque nem todos têm condições de comprar livros”, avaliou. Ela também destaca ações individuais, como doações. “Muitos influenciadores acumulam livros que não usam mais. Doar esses exemplares pode fazer diferença e ampliar o acesso à leitura”, afirmou.

Do ponto de vista educacional, a professora e pedagoga Ana Carla Lima, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), ressalta que o incentivo à leitura deve começar cedo e ser tratado como experiência, não apenas como obrigação.

“A leitura não deve ser reduzida a uma atividade técnica. Ela precisa ser vivida como uma experiência, porque literatura é arte e mobiliza emoções, amplia a imaginação e ajuda a compreender o mundo”, explicou.

A especialista também chama atenção para o preconceito com determinados gêneros literários, muitas vezes considerados “menores”. Para ela, esse entendimento precisa ser superado.

“Mesmo obras mais leves, de entretenimento, não devem ser vistas como algo inferior. Muitas vezes são elas que criam o primeiro vínculo com o leitor”, afirmou.

Ana Carla destaca que o crescimento no número de leitores é positivo, mas não garante, por si só, a formação de leitores críticos.

“O mais importante é o percurso do leitor, o acesso a diferentes obras e experiências. Ler não é só consumir texto, é produzir sentido e se posicionar”, pontuou.

O levantamento mostra ainda que as mulheres representam 61% do público leitor, com destaque para mulheres negras da classe C, que correspondem a 15% do total. Entre os jovens de 18 a 34 anos, foi registrado o maior crescimento no hábito de leitura.

*Com informações do repórter JP Miranda

Compartilhar:

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nosso Termos de Uso.