Educadora alerta para impacto social
A 6ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, realizada pelo Instituto Pró-Livro, revela um dado preocupante sobre os hábitos culturais da população brasileira. De acordo com o levantamento, 81% dos brasileiros dedicam o tempo livre à internet, enquanto apenas 20% afirmam ler livros. O número representa uma queda em relação a 2015, quando 50% usavam a internet no tempo livre e 24% mantinham o hábito da leitura.
Para a professora Fernanda Leal, a pesquisa reflete as transformações do ritmo de vida contemporâneo, mas também acende um alerta sobre o abandono de um instrumento fundamental de transformação social.
“Essa pesquisa é realmente preocupante. Cada vez mais estamos tendo pessoas dedicando menos tempo à leitura. Isso acontece devido às transformações do tempo e dos dias. A vida tem sido cada vez mais acelerada e somos levados a escolher como usamos esse tempo”, afirmou.
Fernanda destacou que, apesar da correria do cotidiano, a leitura continua tendo um papel essencial na formação crítica e na emancipação do indivíduo.
“A leitura é emancipadora, a leitura liberta. Como dizia Paulo Freire, o livro muda as pessoas e as pessoas mudam o mundo. Não é porque o tempo diminuiu que devemos abandonar esse aparato de transformação social que é o livro”, reforçou.
A professora também chamou atenção para o uso pouco qualificado das redes sociais, apontando que grande parte do tempo gasto na internet não contribui para o crescimento pessoal ou coletivo.
“O que estamos tendo são quinze minutos dedicados a informações que não constroem nada. Pelo contrário, são comparações, imagens irreais, fake news, conteúdos que não trazem significado algum”, avaliou.
Apesar das críticas, Fernanda ponderou que a internet pode ser uma aliada da leitura, desde que utilizada de forma consciente.
“Dentro da internet existem livros, existem informações transformadoras. Se o tempo é curto, que ele seja de qualidade. Que esses quinze ou vinte minutos sejam dedicados a algo que realmente transforme a vida”, pontuou.
Ela também fez um apelo para que a população incentive o consumo de conteúdos educativos e não abandone o livro físico.
“Não podemos abandonar o livro físico de forma alguma. A leitura é um direito de todos. O desafio agora é formar pessoas para saber utilizar a leitura a favor da transformação, e não da deformação”, disse.
A professora reforçou a diferença entre quantidade e qualidade de informação consumida no dia a dia.
“Quantidade é diferente de qualidade. O que você lê transforma sua vida, transforma suas ações e, consequentemente, muda a sociedade e o mundo”, concluiu.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim