Medida diplomática foi adotada depois de críticas do presidente argentino ao Supremo Tribunal Federal durante convenção partidária em São Paulo.
O governo brasileiro decidiu adotar uma resposta diplomática às declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Neste domingo (26), o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) convocou o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para consultas em Brasília.
No meio diplomático, a convocação de um embaixador que está em missão no exterior é considerada um gesto de insatisfação do governo diante de fatos que possam comprometer a relação entre os países. A iniciativa tem como objetivo avaliar a situação diretamente com o representante brasileiro e definir os próximos passos da política externa.
Embora Bitelli já tenha retornado ao Brasil em outra ocasião para tratar das relações bilaterais, fontes da diplomacia apontam que a decisão tomada agora demonstra um endurecimento da posição brasileira após os acontecimentos do fim de semana.
A reação do governo ocorreu após Javier Milei participar da convenção nacional do Partido Liberal (PL), em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Durante o discurso, o presidente argentino criticou decisões do Supremo Tribunal Federal, fez ataques ao ministro Alexandre de Moraes — a quem se referiu com palavras ofensivas — e afirmou que foi impedido de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Milei também comparou a situação de Bolsonaro à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citando visitas internacionais recebidas por Lula durante o período em que esteve preso e classificando a prisão do ex-presidente brasileiro como uma injustiça.
Poucas horas após as declarações, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, divulgou uma nota oficial repudiando o pronunciamento do chefe de Estado argentino.
Segundo Fachin, as manifestações representam um desrespeito a um integrante da mais alta Corte do país e foram feitas em território brasileiro. O ministro ressaltou ainda que as decisões do Supremo são fundamentadas na Constituição e na legislação nacional.
Na nota, o presidente do STF também afirmou que a Corte lamenta declarações incompatíveis com a civilidade esperada nas relações entre Estados soberanos e reiterou a independência do Poder Judiciário brasileiro.