Estudo global aponta que corrida e atividades físicas substituem bares e redes sociais como principal espaço de convivência entre jovens da Geração Z
Uma nova tendência entre jovens da Geração Z está mudando a forma como o esporte é encarado: além de saúde e bem-estar, a prática esportiva virou também um espaço de socialização, encontros e construção de identidade. É o que aponta o 12º Relatório Anual de Tendências Esportivas do Strava, plataforma voltada para atividades físicas, que analisou bilhões de registros em mais de 180 países.
De acordo com o estudo, a Geração Z tem 75% mais chances do que a Geração X de afirmar que sua principal motivação para o exercício é participar de uma corrida ou evento esportivo. Além disso, 39% dos jovens dizem usar o esporte para conhecer pessoas com interesses em comum, o que reforça a mudança de comportamento.
Na prática, academias, parques, clubes de corrida e eventos de rua passam a disputar espaço com ambientes tradicionais de lazer, como bares e aplicativos de relacionamento.
O feirense Márcio Felipe, de 26 anos, estudante de engenharia mecânica, relata que a corrida passou a ocupar um papel central em sua rotina e vida social.
“Eu sou uma pessoa que gosta de desafios. Depois de passar boa parte da minha adolescência indo pra festa, chega uma hora que cansa. Eu comecei a curtir mais esses eventos que envolvem esporte e natureza”, contou.

Ele lembra que começou de forma simples e evoluiu rapidamente no esporte.
“Eu comecei correndo um quilômetro, depois dois, depois dez. Já fui daqui até Salvador pra correr lá. A corrida não é um esporte tão de equipe, mas você encontra amigos no meio do percurso, um ajuda o outro”, disse.

O jovem também destaca a mudança de hábito no fim de semana.
“Antes eu tinha ansiedade pra chegar o final de semana pra ir pra uma festa. Hoje é ansiedade pra chegar o domingo de manhã pra ir pra uma corrida. Depois a gente toma uma água de coco, um caldo de cana, um sorvete… vira lazer mesmo”, afirmou.

A educadora física e árbitra de corridas Helenice de Lima Santos confirma que essa mudança já é percebida no dia a dia das provas.
“A corrida de rua vem crescendo bastante, incluindo jovens, adolescentes, adultos e idosos. Tem várias modalidades, como maratona, meia maratona, 10 km, 5 km e caminhada”, explicou.

Segundo ela, o esporte vai além da atividade física.
“Dentro da corrida as pessoas se socializam, conhecem outras pessoas, outras histórias. Muitas vão pra tirar foto, pra marcar presença. É muito bom, é uma modalidade que só cresce”, destacou.

O relatório também mostra que a lógica do lazer está mudando. O tradicional encontro em bares ou o uso de redes sociais dá espaço a experiências presenciais ligadas ao bem-estar, como corridas, yoga e treinos coletivos.
Segundo o estudo, 46% dos jovens aceitariam um primeiro encontro envolvendo atividade física, reforçando o esporte como ambiente de conexão social.
Além disso, clubes de corrida e caminhada cresceram de forma acelerada, chegando a quase 1 milhão de grupos ativos na plataforma analisada.
Mesmo com impacto da inflação, a pesquisa aponta que 30% da Geração Z pretende aumentar os gastos com fitness, enquanto 64% preferem investir em equipamentos esportivos do que em encontros tradicionais.
Outro dado mostra que 54% dos jovens praticam mais de um tipo de atividade física, reforçando a busca por variedade e flexibilidade.
Para especialistas, o movimento indica uma transformação mais ampla no estilo de vida das novas gerações: menos tempo em telas e mais experiências presenciais, com foco em saúde, pertencimento e conexão social.
No Brasil, onde o uso de celulares para registrar atividades chega a 89%, esse comportamento já é bastante evidente e deve crescer nos próximos anos, acompanhando a expansão de clubes, eventos e comunidades esportivas.
*Com informações do repórter JP Miranda