Um dos ativistas reforça que os jovens não buscam apenas participar como ouvintes, mas como agentes ativos de transformação.
O auditório Cumarú, na Zona Verde da COP30, sediou na tarde desta terça-feira (18) um painel dedicado ao ativismo socioambiental jovem no Brasil, reunindo representantes de movimentos, organizações e coletivos que têm ampliado sua presença nas discussões globais sobre clima e direitos humanos. Entre eles, o jovem ativista Wanderson Souza Costa, da organização Engajamundo, destacou a importância de ocupar espaços de decisão e de fortalecer a participação da juventude na luta ambiental.
Wanderson avaliou que a COP30 marca um avanço significativo em relação às conferências anteriores, especialmente no que diz respeito à presença da sociedade civil.

“Essa COP está sendo muito significativa porque a participação social está muito maior do que em ações anteriores. Pra gente, é muito importante estar ocupando esse lugar como sociedade civil.”
Para ele, o fato de Belém sediar o evento ampliou ainda mais a visibilidade das pautas socioambientais e do protagonismo dos povos da Amazônia.
“A COP é um momento em que o mundo todo olha pra cá. Não tem como não ocupar esse lugar, fazer nossas lutas e nossas reivindicações.”
Wanderson reforça que os jovens não buscam apenas participar como ouvintes, mas como agentes ativos de transformação.
“A gente quer estar dentro desses lugares, não mais só numa cadeira ouvindo. Queremos falar, ser escutados e criar soluções.”
O Engajamundo, organização da qual faz parte, atua mobilizando, formando e capacitando jovens para ocuparem espaços de debate climático com qualidade técnica e política.
“O jovem também é técnico. A gente mobiliza, forma e ocupa esses lugares trazendo nossas necessidades.”
O ativista lembrou que a juventude está entre os grupos mais afetados pelos impactos das mudanças climáticas e, por isso, precisa estar no centro das decisões.
“Hoje, a juventude é um dos corpos mais atravessados pelas mudanças climáticas. O que a gente traz precisa ser escutado e precisa estar dentro da declaração final.”
Ele acrescenta que, no Brasil, são mais de 40 milhões de jovens, um contingente que precisa ser reconhecido e incluído em todas as etapas do processo político climático.
“Nós também precisamos estar no centro das soluções e decisões. Somos esse futuro tão esperado e tão cobrado.”
Para Wanderson, o papel da juventude é estratégico não apenas para o futuro, mas para o presente.
“A juventude não luta mais só por um futuro, mas pelo nosso próprio presente.”
Ele acredita que, ao formar novas gerações desde cedo, é possível consolidar uma cultura de sustentabilidade e ação climática verdadeira desde que os espaços de poder se abram para essa participação.
“Tem pesquisas que mostram que a juventude já tem consciência de que algo precisa ser feito. O que nos barra é a inação e a falta de poder político. Mas seguimos articulando para chegar a soluções reais.”
*Com informações de Jorge Biancchi, direto da COP 30 em Belém