Vinícius Oliveira destacou que informação, tratamento especializado e apoio familiar são fundamentais para devolver autonomia, qualidade de vida e esperança a pacientes após trauma na medula.
O quadro Neuroreabilitação em Pauta trouxe como tema central a reabilitação após trauma na medula, em uma conversa conduzida com o fisioterapeuta Vinícius Oliveira, da Reabserv. Ao longo do programa, o especialista compartilhou experiências profissionais, casos reais de superação e reforçou a importância da informação, da prevenção e de um cuidado humanizado.
Vinícius explicou que o trauma medular é uma condição grave e que, na maioria dos casos, atinge jovens, geralmente em decorrência de acidentes de trânsito ou violência. Ele contou histórias marcantes da sua atuação, incluindo pacientes com tetraplegia, paraplegia e paraparesia, destacando que cada caso carrega desafios técnicos e emocionais.
Um dos relatos mais emocionantes foi o de um jovem que sofreu um acidente de moto e ficou com lesão na região torácica da medula. Segundo o fisioterapeuta, a família chegou cheia de dúvidas e medo em relação ao futuro.
“Quando a família chega, ela não sabe se aquela pessoa vai voltar a se movimentar, se vai ficar restrita ao leito. Cabe a nós não plantar falsas esperanças, mas também não tirar a vontade de se reabilitar”, explicou.
Com acompanhamento especializado e apoio familiar, o paciente evoluiu progressivamente. “Ele saiu do leito, passou a se transferir para a cadeira, a tomar banho sozinho e, hoje, viaja sozinho, trabalha, tem comércio, emprega pessoas e ajuda outros pacientes. Isso é reabilitação de verdade”, relatou Vinícius.
O fisioterapeuta enfatizou que a reabilitação vai além da técnica aprendida na faculdade. “A gente não chega como ‘o doutor’. A gente chega como pessoa, cuidando de outra pessoa, dentro da casa dela, respeitando a cultura, a história e a realidade daquela família”, afirmou.
Ele também destacou a importância do acompanhamento multiprofissional e do uso consciente da tecnologia. Entre os avanços citados estão o uso de bombas de baclofeno, estimulação elétrica e magnética, cirurgias com implante de eletrodos na medula e equipamentos como esteiras com suspensão parcial de peso.
“Não adianta ter tecnologia de ponta sem um profissional capacitado para utilizá-la corretamente”, alertou.
Questionado sobre os principais desafios enfrentados por pacientes após um trauma medular, Vinícius apontou as incertezas como o fator mais difícil.
“O paciente se pergunta como vai sustentar a família, como será o futuro. A falta de informação gera medo”, disse. Ele destacou que muitos pacientes ainda desconhecem possibilidades reais de autonomia, inclusão e até de formar família após uma lesão medular.
Vinícius deixou uma mensagem aos pacientes e familiares. “Você tem um potencial que talvez não esteja sendo explorado. Todo ser humano tem potencial. Mesmo diante da lesão, ainda há muito a ganhar”, afirmou, ressaltando a importância de buscar orientação profissional e não desistir do processo de reabilitação.
Ele reforçou ainda o compromisso social da Reabserv em orientar a população. “Independentemente de ser nosso paciente ou não, a gente tem responsabilidade social e está à disposição da comunidade”, concluiu.