Além dos cuidados físicos, a médica enfatizou a importância da saúde emocional e das relações humanas.
A longevidade já não pode ser explicada apenas pela genética. Foi o que destacou a ginecologista Dra. Márcia Suely, durante participação no quadro Mulheres em Pauta, ao abordar o tema “Longevidade além do DNA: o que a ciência aponta”. Segundo a especialista, estudos recentes comprovam que os hábitos diários e o estilo de vida são os principais responsáveis por determinar quanto e como as pessoas vão viver.
“Se você tem pais, tios ou familiares longevos, com mais de 90 ou 100 anos, isso representa apenas cerca de 25% de chance. O que realmente determina a longevidade já está provado: são os hábitos do dia a dia”, afirmou.
A médica ressaltou que o conceito de longevidade precisa ir além da quantidade de anos vividos. Para ela, o foco deve ser a qualidade de vida, com autonomia, disposição e bem-estar físico e emocional.
“Hoje, quando falamos em longevidade, não estamos falando só em viver mais, mas em viver bem. É viver com autonomia, autoestima, se movimentando, feliz”, destacou.
Entre os principais fatores que impactam diretamente no envelhecimento saudável, a alimentação ocupa papel central. Dra. Márcia explicou que a ciência tem revisado antigos conceitos e mostrado a importância do consumo equilibrado de proteínas.
“A carne não é vilã. As proteínas, tanto animais quanto vegetais, são fundamentais. O que precisa ser reduzido são os carboidratos refinados, o açúcar e os alimentos ultraprocessados”, alertou.
Ela reforçou a orientação de priorizar alimentos naturais.
“Não vão ao supermercado, vão à feira. Comprem alimentos naturais, carnes, peixes, frango, legumes. O açúcar precisa ser evitado ao máximo.”
Sobre hábitos comuns no café da manhã, a médica foi enfática:
“O pão de trigo inflama o intestino. O ideal é substituir por tapioca, cuscuz, aipim, inhame ou batata-doce. Um café sem açúcar, com canela, é muito mais saudável.”
Outro fator decisivo para a longevidade é a prática de atividade física regular. Segundo a especialista, não é necessário exercício intenso, mas consistência.
“Atividade física não é só importante, ela é essencial. Ela cria músculos saudáveis, garante autonomia, previne Alzheimer, diabetes, hipertensão e outras doenças do envelhecimento”, explicou.
A recomendação é de 150 minutos semanais de atividade moderada ou movimentação constante no dia a dia.
“Se não pode ir à academia, se movimente. Ande, cuide da casa, do quintal. O importante é não ficar parado.”
Durante a entrevista, Dra. Márcia também alertou para os impactos da má qualidade do sono. Segundo ela, dormir pouco compromete hormônios essenciais, como a melatonina.
“Dormir depois das 22h faz perder o primeiro pico da melatonina. E quem dorme mal tem mais risco de diabetes, hipertensão, demência e ansiedade”, destacou.
A orientação é clara:
“O ideal é dormir entre sete e nove horas por noite, com sono profundo e contínuo. Dormir bem é fazer uma verdadeira faxina no cérebro.
Além dos cuidados físicos, a médica enfatizou a importância da saúde emocional e das relações humanas.
“Socializar não é ficar no celular nem ir ao bar beber. É contato com pessoas de verdade, com família, amigos, encontros frequentes. Pessoas isoladas adoecem mais e vivem menos”, afirmou.
O pensamento positivo também influencia diretamente na longevidade.
“A forma como você encara a vida faz toda a diferença. Pessoas otimistas vivem mais e melhor.”
Dra. Márcia Suely deixou uma reflexão que resume o conceito defendido ao longo da entrevista.
“Longevidade não é adicionar anos à vida, é adicionar vida aos anos. Não adianta viver muito tempo preso a uma cama ou à doença. O importante é chegar ao fim da vida com saúde, autonomia e felicidade.”