10/08/2026
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Lula diz que enviará a Trump dados sobre queda do desmatamento na Amazônia

Presidente afirmou que números ambientais contradizem uma das justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros

Victória SilvaRedação: Victória Silva
sábado, 08 de agosto de 2026 às 16:38
Imagem de Lula diz que enviará a Trump dados sobre queda do desmatamento na Amazônia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (8) que pretende encaminhar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dados recentes sobre a redução dos alertas de desmatamento na Amazônia. A declaração ocorreu durante a celebração dos 30 anos do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), em Taboão da Serra, na Grande São Paulo.

Lula voltou a contestar as justificativas utilizadas pelo governo norte-americano para impor novas tarifas a produtos brasileiros. Segundo ele, o desmatamento ilegal teria sido apresentado pelos Estados Unidos como um dos fatores que motivaram a medida.

Durante o discurso, o presidente disse que pretende apresentar diretamente a Trump os números mais recentes sobre a preservação da floresta. Lula também afirmou que as informações que chegaram ao governo norte-americano não refletiriam a situação atual do desmatamento no país.

Ao mencionar os resultados, o presidente destacou a presença da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva no evento e afirmou que ela poderia se orgulhar dos números registrados na Amazônia.

Menor área de alertas desde 2016

Dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam que a Amazônia registrou 2.874,38 km² sob alertas de desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026.

O resultado representa uma queda de 36% em comparação com o período anterior e corresponde ao menor índice registrado desde o início da série histórica, em 2016.

Para Lula, os números reforçam a posição do governo brasileiro diante das críticas feitas pelos Estados Unidos e servem como contraponto às alegações utilizadas para justificar as tarifas.

Medidas dos Estados Unidos

Em julho, o governo Trump estabeleceu uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A decisão foi tomada após uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

O órgão norte-americano citou diferentes questões na avaliação, incluindo comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado brasileiro de etanol e desmatamento ilegal.

Embora reconheça a existência de mecanismos legais brasileiros voltados ao combate ao desmatamento, o USTR questionou a efetividade histórica da aplicação dessas normas. O governo brasileiro, por sua vez, rejeita as justificativas e considera as tarifas injustificadas.

Relação diplomática

As medidas comerciais ocorrem em meio a um período de desgaste nas relações entre Brasília e Washington. Nesta semana, os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em um episódio relacionado ao impasse sobre a indicação do novo representante diplomático norte-americano para o Brasil.

Celebração do MTST

O discurso de Lula aconteceu durante o evento que marcou as três décadas de atuação do MTST. Realizado na Arena Multiuso de Taboão da Serra, o encontro também teve como pauta iniciativas de habitação e ações ligadas ao programa Minha Casa, Minha Vida.

Participaram da cerimônia, além do presidente, Guilherme Boulos, a primeira-dama Janja da Silva e Marina Silva.

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