Presidente afirma que tarifas de Trump foram baseadas em alegações falsas e defende resposta brasileira por meio da Lei de Reciprocidade Econômica
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom ao comentar, nesta sexta-feira (14), o conflito comercial entre Brasil e Estados Unidos. Em entrevista aos podcasts “Não Inviabilize” e “As Cunhãs”, no Palácio da Alvorada, em Brasília, o presidente afirmou que pretende apresentar os argumentos brasileiros e disputar internacionalmente a narrativa sobre as medidas adotadas pelo governo de Donald Trump.
Lula classificou como falsas as justificativas utilizadas pelos Estados Unidos para aplicar tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo ele, as acusações envolvendo a compra de mercadorias relacionadas a trabalho escravo e o combate ao desmatamento não correspondem à realidade do país.
O presidente também destacou a entrada em ação da Lei de Reciprocidade Econômica. A legislação, que passou a vigorar em 2025, permite ao Brasil adotar medidas de resposta contra países ou blocos econômicos que imponham restrições consideradas prejudiciais à economia nacional ou que afetem a soberania brasileira.
Para Lula, a reação brasileira deve ser conduzida com firmeza, mas sem transformar o impasse comercial em um confronto político. Ele afirmou que pretende conversar diretamente com Trump e ressaltou que mantém uma relação respeitosa com o presidente norte-americano.
Na avaliação do petista, Brasil e Estados Unidos, apontados por ele como as duas maiores democracias do continente, precisam preservar os canais institucionais de diálogo. Lula também pediu que o governo norte-americano não interfira em assuntos internos brasileiros, especialmente no processo eleitoral.
“Eu nunca me meti nas eleições deles. Por que ele vai se meter aqui?”, questionou o presidente. Apesar das críticas, Lula afirmou que não busca um conflito e defendeu uma negociação baseada em argumentos e seriedade.