Governo avalia que taxa de 25% anunciada por Washington tem grande chance de entrar em vigor em 15 de julho, mas descarta concessões consideradas prejudiciais ao país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou nesta sexta-feira (10), no Palácio do Planalto, uma reunião com integrantes da equipe ministerial para avaliar o andamento das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O encontro teve como foco a eventual imposição de novas tarifas sobre exportações brasileiras.
De acordo com integrantes do governo, o cenário mais provável é que Washington adote uma alíquota de 25% sobre determinados produtos brasileiros a partir de 15 de julho. A percepção de que um acordo é difícil ganhou força após recentes conversas com autoridades norte-americanas e em razão do histórico da política comercial da gestão de Donald Trump.
Em declaração recente, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que as tratativas ainda apresentam divergências significativas e indicou que uma definição deve ocorrer nos próximos dias, em função do prazo legal estabelecido pelo governo norte-americano.
Apesar das incertezas, Lula decidiu preservar a estratégia adotada até o momento: prosseguir com as negociações técnicas, sem abrir mão de pontos considerados essenciais aos interesses nacionais. Assim, temas defendidos pelos Estados Unidos, como alterações nas tarifas incidentes sobre o etanol, seguem fora das discussões. Participaram da reunião os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que coordenam as conversas em nome do Brasil.