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Machucados simples podem se tornar grandes problemas com o avanço da idade, alerta estomaterapeuta

Com o envelhecimento da pele e doenças como diabetes, pequenos machucados podem evoluir para feridas graves.

Por Rafa
quinta-feira, 08 de janeiro de 2026
Imagem de Machucados simples podem se tornar grandes problemas com o avanço da idade, alerta estomaterapeuta

Pequenos ferimentos que antes cicatrizavam rapidamente podem se transformar em um problema sério com o passar dos anos. O alerta foi feito pela estomaterapeuta Áquilla Chahinne.

A profissional ressaltou que o envelhecimento provoca mudanças importantes no organismo, especialmente na pele.

“Com o passar da idade, algumas alterações acontecem também na pele. A gente tem perda de colágeno, de elastina, a pele fica mais fina e os vasos mais frágeis. Isso faz com que qualquer pequeno trauma já possa virar um problema”, explicou.

Segundo Áquilla, a maioria dos pacientes atendidos atualmente em clínicas especializadas em feridas é formada por idosos, justamente pela dificuldade maior de cicatrização.

“O processo imunológico do idoso é mais lento, as células de defesa respondem mais devagar, e ainda temos as comorbidades, como diabetes e hipertensão, que dificultam ainda mais a cicatrização”, afirmou.

A estomaterapeuta destacou que, para o idoso, não existe machucado pequeno demais para ser ignorado.

“Não tem esse negócio de machucadão ou machucadinho. Machucou? Precisa ser avaliado. Algo simples pode evoluir para infecção, necrose e até amputação se não tiver o cuidado adequado”, alertou.

Ela citou casos comuns do dia a dia, como pequenos traumas provocados pelo manuseio de sacolas ou até durante atividades rotineiras.

“Já atendi paciente que rasgou a pele do braço só de carregar uma sacola de mercado. Isso mostra o grau de fragilidade do tecido do idoso”, contou.

De acordo com Áquilla, a alimentação inadequada também tem impacto direto na recuperação das feridas.

“Muitos idosos acabam consumindo mais carboidrato, menos proteína e têm compulsão por doces. Tudo isso prejudica a cicatrização. Sem proteína, o corpo não consegue reconstruir o tecido”, explicou.

Além disso, doenças como diabetes, problemas circulatórios e hipertensão aumentam significativamente o risco de complicações.

“Quando o paciente é idoso, diabético e com problemas de circulação, qualquer ferimento já acende um sinal de alerta”, reforçou.

Outro ponto abordado foram as manchas arroxeadas comuns em idosos, conhecidas como púrpura senil.

“Essas manchas indicam fragilidade capilar. É um sinal de que, se houver um ferimento, a cicatrização pode ser lenta e com maior risco de infecção”, explicou a especialista.

Ela destacou ainda que a exposição solar ao longo da vida agrava o problema.

“As áreas mais afetadas são braços e pernas, regiões mais expostas ao sol. O uso de protetor solar, hidratação e cremes hidratantes ajudam a retardar esse envelhecimento da pele”, orientou.

Durante a entrevista, a estomaterapeuta chamou atenção para as chamadas lesões por pressão, conhecidas popularmente como escaras, comuns em idosos acamados ou que permanecem muito tempo na mesma posição.

“Não é só virar o paciente. É preciso hidratação, boa alimentação, troca correta de fraldas e atenção ao manuseio, porque a pele do idoso rasga com facilidade”, alertou.

Ela reforçou que esse tipo de ferida pode ser evitado com cuidados simples no dia a dia.

“Às vezes o idoso nem é acamado, mas passa o dia todo no sofá. Isso já é suficiente para desenvolver uma ferida na região do cóccix”, explicou.

Áquilla enfatizou a importância do acompanhamento especializado no tratamento e na prevenção de feridas.

“Tratar ferida sem especialista é como dirigir um avião de olhos vendados. Receitas da internet, pomadas do vizinho ou chás caseiros podem atrasar e até impedir a cicatrização”, alertou.

Segundo ela, cada ferida exige avaliação individualizada.

“Às vezes o problema está na hidratação, na alimentação ou na necessidade de retirar um tecido ruim da ferida. São detalhes que fazem toda a diferença”, afirmou.

Durante o programa, pacientes e familiares relataram a evolução positiva com o tratamento especializado na clínica Dr. Curativos. Um dos depoimentos destacou o risco de amputação evitado.

“Eu quase ia perder o pé. Hoje posso dizer que estou bem. O acolhimento, o cuidado e o tratamento fizeram toda a diferença”, relatou uma paciente.

A estomaterapeuta agradeceu a confiança.

“Cada depoimento desses nos deixa sem palavras. É muito gratificante ver o resultado do tratamento e a melhora na qualidade de vida das pessoas”, disse.

Áquilla deixou um recado para quem cuida de idosos.

“Se você tem um idoso em casa, cuide agora. E lembre-se: um dia todos nós vamos chegar lá. Prevenção é o melhor caminho”, concluiu.

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