Candidato recebeu 42.152 votos na Bahia, sendo 31.990 em Feira de Santana, onde foi o mais votado para deputado estadual, mas não conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa.
Jhonatas Monteiro (PSOL), que foi candidato a deputado estadual, avaliou como positiva a votação obtida nas eleições de 2026. Com 42.152 votos em toda a Bahia, dos quais 31.990 em Feira de Santana, ele terminou a disputa sem conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). No município, foi o candidato a deputado estadual mais votado.
Em entrevista ao programa De Olho na Cidade, Jhonatas afirmou que o resultado representa o reconhecimento de uma parcela da população ao trabalho que desenvolve e à forma como conduz sua atuação política. Apesar disso, lamentou não transformar a votação em representação institucional.
“É sempre uma vitória com sabor amargo. O resultado não deixa de ser um reconhecimento muito grande por parte de um pedaço do povo da Bahia e de Feira de Santana em torno do trabalho que nós temos feito”, declarou.
O candidato ressaltou que a expressividade dos votos tem importância não apenas pela quantidade, mas também pela maneira como foram conquistados. Segundo ele, sua campanha não recorreu à compra de votos nem à troca de benefícios por apoio eleitoral.
“Quem rodar Feira de Santana e procurar alguém a quem a gente oferecesse um copo d'água em troca do voto não vai encontrar. Nós não negociamos aquilo que é direito das pessoas como se fosse um favor”, afirmou.
Jhonatas atribuiu parte do resultado à estratégia de campanha baseada no contato direto com os eleitores. Segundo ele, a presença nas ruas durante todo o ano, e não apenas no período eleitoral, contribuiu para fortalecer sua relação com a população.
O candidato explicou que a campanha priorizou caminhadas, distribuição de panfletos e conversas presenciais, evitando estratégias que, na avaliação dele, privilegiam a exposição da imagem em detrimento do diálogo.
“Eu tenho presença cotidiana na vida social aqui de Feira, em diferentes espaços. Não tenho presença só no momento das eleições”, afirmou.
Jhonatas também criticou o modelo de campanhas com grandes carreatas e estruturas financiadas para ampliar a visibilidade dos candidatos.
“O que um pedaço da população quer é que ela seja escutada, que os problemas que ela sente no dia a dia apareçam na política”, disse.
Ele lembrou que sua equipe esteve em pontos de ônibus e locais de grande circulação desde as primeiras horas da manhã, buscando conversar com trabalhadores e estudantes antes do início de suas atividades.
Mesmo após não conquistar o mandato, Jhonatas descartou deixar o PSOL para buscar uma legenda que favoreça suas chances eleitorais.
“Não pretendo sair do PSOL, não pulo de galho em galho. Sei que tem muitas figuras que usam legenda como se fosse roupa, trocando de acordo com a conveniência”, declarou.
Ao analisar o resultado da eleição para deputado estadual, ele apontou que um dos desafios está na concentração do eleitorado em Salvador, que possui um colégio eleitoral maior do que o de Feira de Santana. Segundo ele, candidaturas da capital tiveram um desempenho superior ao projetado, dificultando a eleição de representantes de outras regiões.
“Você tem um problema que a gente precisa enfrentar, inclusive para pensar a própria representação de Feira de Santana nesses espaços”, explicou.
O candidato afirmou que a questão não se limita à sua candidatura, mas envolve a representação do município na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Ele também citou a ausência de um deputado federal eleito por Feira de Santana como um prejuízo para a cidade.
Jhonatas defendeu a independência política como condição para manter a coerência de sua atuação, inclusive para criticar governos e cobrar medidas de grupos do mesmo campo ideológico.
“Para cumprir determinado papel e ser coerente com aquilo que a esquerda se propõe, que é estar ao lado do povo, da luta de quem é trabalhador e trabalhadora, o setor também tem que ter independência política”, afirmou.
O candidato recordou sua atuação na Câmara Municipal de Feira de Santana, onde exerceu a liderança do bloco de oposição e manteve diálogo com vereadores de outras legendas.
Apesar de não ter conquistado o mandato, Jhonatas afirmou que continuará atuando politicamente fora dos cargos eletivos.