Presidente da Câmara afirma que proposta segue para segunda discussão e destaca apoio técnico apresentado por médico especialista em obesidade
O projeto de lei que autoriza o Poder Executivo Municipal a instituir diretrizes para a disponibilização do medicamento tirzepatida, conhecido comercialmente como Mounjaro, pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Feira de Santana, voltou ao centro dos debates na Câmara Municipal após o uso da tribuna livre pelo médico especialista em emagrecimento e controle da obesidade, Dr. William Campinho.
A proposta, de autoria do presidente da Casa, vereador Marcos Lima (União Brasil), já foi aprovada em primeira discussão e ainda seguirá para segunda votação no Legislativo antes de ser encaminhada ao prefeito para eventual sanção.
O médico defendeu a implementação de políticas públicas voltadas ao tratamento da obesidade e afirmou que o projeto é viável.
“Do ponto de vista humanitário, devolver dignidade à população não tem preço. Mas, falando economicamente, digo que sim, é totalmente viável. A grande pergunta é: quanto custa hoje não tratar a obesidade?”, questionou.
Segundo o médico, o impacto financeiro da obesidade ultrapassa o custo do tratamento, devido às doenças associadas, como diabetes, hipertensão, ansiedade, depressão e problemas cardiovasculares.
“A OMS mostrou recentemente que tratar a obesidade reduz em 30% a incidência e o impacto de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC. Então, qual o custo de não tratar?”, argumentou.
Dr. William explicou que o tratamento não deve ser feito apenas com medicação, mas com acompanhamento multidisciplinar.
“Os estudos mostram que a tirzepatida isolada leva cerca de 72 semanas para entregar resultados equiparáveis à cirurgia bariátrica. Mas, dentro de um tratamento estruturado, conseguimos o mesmo resultado em um terço do tempo, com mais eficiência e economia”, explicou.
O médico ressaltou ainda que, caso o Mounjaro não seja considerado financeiramente viável, o município pode adotar medicamentos alternativos para tratamento da obesidade.
“Se não for possível oferecer o melhor tratamento, isso não justifica não tratar a obesidade. Existem medicamentos secundários eficazes, mas precisamos primeiro tentar viabilizar uma opção de primeira linha para a população”, defendeu.
Marcos Lima agradeceu a participação do especialista e afirmou que a explanação técnica reforçou a relevância do projeto.

“Primeiro agradecer a vinda do doutor William Campinho, que é um médico conceituado em Feira de Santana e no Brasil, participa de cursos internacionais e veio hoje à Câmara usar a tribuna livre dando sua opinião em relação ao projeto de lei, que é um projeto que vai melhorar a vida das pessoas que têm problemas de saúde, diabetes tipo 2 e obesidade”, afirmou.
Segundo o vereador, dados apresentados pelo médico durante a sessão acendem um alerta sobre o avanço da obesidade no município.
“Pelos dados que ele falou, até 2030 Feira de Santana terá 50% de pessoas obesas se não tiver tratamento. Ele explicou claramente que, com o uso da tirzepatida ou outro medicamento similar, haverá redução significativa das doenças associadas”, destacou.
Marcos Lima argumentou que a obesidade está diretamente ligada ao desenvolvimento de outras enfermidades e que o município precisa avançar no debate sobre políticas públicas voltadas ao tema.
“A obesidade traz diversos outros tipos de doenças e ele deixou isso muito claro na explanação. Já existe um tratamento comprovado, que tem trazido efeitos positivos na vida do ser humano, e nós queremos colocar isso em prática”, disse.
O presidente da Câmara reconheceu que ainda percebe resistência do Executivo municipal em relação ao projeto, especialmente pelos custos envolvidos, mas defendeu que o investimento pode representar economia futura para a saúde pública.
“Eu vejo ainda uma resistência do prefeito Zé Ronaldo, acredito que por causa dos valores. Mas, como o doutor explicou, quando há compra em grande escala e quebra de patente, o custo reduz bastante. Pelo que ele me passou, um paciente não gastaria mais que trezentos reais por mês para fazer um tratamento eficaz”, pontuou.
Marcos Lima informou ainda que já dialogou com o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, sobre a proposta.
“Já tive diálogo com o secretário. No início houve uma resistência, mas agora ele está analisando, buscando informações e viu que há possibilidade. O prefeito ainda demonstra resistência, talvez pelos custos, mas acredito que o benefício à população vai compensar”, afirmou.
O vereador também anunciou que pretende destinar recursos para viabilizar a iniciativa.
“Consegui, através do deputado Ricardo Maia, trezentos mil reais para a saúde e estou direcionando esse valor para compra do medicamento. Também vou colocar recursos de emenda impositiva para fazer o tratamento das pessoas que precisam”, revelou.
O projeto de lei prevê que a disponibilização do medicamento ocorra mediante critérios clínicos definidos pela Secretaria Municipal de Saúde, com prescrição médica e acompanhamento contínuo nas Unidades de Saúde da Família.
O projeto foi aprovado em primeira discussão, por unanimidade dos vereadores presentes, no último dia 28 de abril, e autoriza, mas não obriga, o município a instituir diretrizes para disponibilização do Mounjaro no SUS como estratégia complementar no tratamento da obesidade. A proposta ainda será apreciada em segunda discussão antes de seguir para sanção do Executivo.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim
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