Ginecologista destaca que menopausa é um marco natural da vida, mas exige atenção à saúde e ao estilo de vida.
A menopausa ainda é cercada por dúvidas e tabus, apesar do grande volume de informações disponíveis atualmente. Para esclarecer o tema e orientar mulheres sobre como enfrentar essa fase da vida com mais qualidade, a série especial Março Mulher no programa Jornal do Meio Dia (Rádio Princesa FM), entrevistou a ginecologista Dra. Glauce Casaes, que abordou sintomas, tratamentos e avanços da medicina preventiva no cuidado com a saúde feminina.
Segundo a médica, a menopausa é uma etapa natural da vida da mulher, marcada pelo fim do ciclo menstrual e por importantes mudanças hormonais.
“A menopausa é uma fase natural da vida da mulher. É marcada pelo fim do ciclo menstrual e por mudanças hormonais importantes, especialmente na produção de estrogênio. Essa transição costuma acontecer entre 45 e 55 anos e pode trazer sintomas como ondas de calor, alterações no metabolismo, impacto nas emoções e no sono”, explicou.
De acordo com a ginecologista, muitas mulheres ainda são surpreendidas pelos sintomas, principalmente por falta de informação ou pela ideia equivocada de que certos problemas são inevitáveis nessa fase.
“Existem dois fatores principais. Um é a normatização: muitas mulheres acreditavam que era normal ter fogachos, obesidade ou diabetes durante a menopausa e não buscavam ajuda. O segundo é a falta de informação”, afirmou.
Ela ressaltou que ampliar o acesso ao conhecimento é essencial para mudar esse cenário.
“O conhecimento só é válido quando consegue chegar às pessoas e mudar alguma realidade. Por isso é tão importante usar redes sociais, programas de rádio e outros meios para levar informação às mulheres”, destacou.
A médica também explicou que muitas pessoas confundem o conceito de menopausa. Na prática, o termo se refere apenas à última menstruação da mulher.
“A menopausa é um marco, é a data da última menstruação. O período crítico, na verdade, é a perimenopausa, que pode começar cinco, sete ou até dez anos antes”, explicou.
Segundo ela, nesse período ocorre uma queda gradual dos hormônios produzidos pelos ovários.
“A menopausa é uma falência ovariana. Os ovários deixam de produzir hormônios. Primeiro cai a progesterona, depois o estradiol e por fim a testosterona, o que provoca diversos sintomas”, disse.
Outro ponto destacado pela especialista é que cada mulher vive essa fase de forma diferente, devido à chamada individualidade biológica.
“Cada mulher tem sua genética e seu estilo de vida. Quantas horas dorme, como se alimenta, se pratica atividade física, como gerencia o estresse. Tudo isso influencia nos sintomas”, explicou.
Entre os sintomas mais relatados estão ondas de calor, ganho de peso, irritabilidade e insônia.
Nos últimos anos, a medicina preventiva e funcional tem ganhado destaque no cuidado com a menopausa. Segundo Dra. Glauce, essa abordagem se baseia em três pilares principais.
“Existe um tripé: metabolismo, nutrição e hormônios. Quando conseguimos equilibrar esses três fatores, a mulher tende a ter uma menopausa menos sofrida”, afirmou.
Além de reduzir sintomas, essa estratégia também ajuda a prevenir doenças comuns nessa fase da vida.
“A osteoporose, por exemplo, pode ser prevenida. Doenças cardiovasculares e até algumas doenças neurodegenerativas também podem ter redução de risco com acompanhamento adequado”, explicou.
A terapia de reposição hormonal continua sendo um dos temas que mais geram receio entre as mulheres. No entanto, segundo a médica, muitos desses medos surgiram a partir de estudos antigos que já foram revisados pela ciência.
“Hoje sabemos que a terapia de reposição hormonal, quando bem indicada e acompanhada, é segura e pode devolver qualidade de vida às mulheres”, afirmou.
Ela destacou que a reposição busca restabelecer hormônios importantes para o organismo.
“Se a menopausa representa a perda desses hormônios, por que não repor quando não existe contraindicação? A reposição pode melhorar o sono, o humor, a saúde óssea e diversas funções do organismo”, explicou.
Outro mito comum é a ideia de que a menopausa representa o fim da vida sexual. Para a especialista, essa visão não corresponde à realidade.
“A libido é multifatorial. Não depende apenas dos hormônios. Ansiedade, fadiga, autoestima e qualidade do relacionamento também influenciam”, disse.
Ela acrescenta que há tratamentos disponíveis para sintomas físicos como o ressecamento vaginal.
“Hoje existem cremes, comprimidos vaginais e até tecnologias que ajudam nessa questão. Muitas mulheres relatam que, com autoconhecimento, têm até mais prazer nessa fase da vida”, afirmou.
Apesar de existirem tratamentos médicos, a especialista reforça que hábitos simples já ajudam a melhorar a qualidade de vida durante a menopausa.
“Comida de verdade, sono de qualidade, atividade física, especialmente musculação, e controle do estresse já fazem uma enorme diferença”, orientou.
Segundo ela, o objetivo é permitir que as mulheres envelheçam com autonomia e independência.
“Não adianta viver 80 ou 85 anos sem qualidade de vida. O importante é envelhecer com dignidade, autonomia e saúde”, destacou.
Durante a entrevista, a médica também revelou que participará de um congresso internacional sobre menopausa na em Harvard, nos Estados Unidos, entre os dias 20 e 31 de março.
“O congresso vai abordar temas importantes como saúde intestinal, sono e a importância do músculo como órgão endócrino. Tudo isso tem relação direta com a longevidade e a saúde da mulher”, explicou.
Ela destacou que pretende trazer novos conhecimentos para aplicar no atendimento às pacientes.
“Tudo o que fazemos precisa ser baseado em ciência. É isso que eu vou buscar lá: atualização para oferecer o melhor cuidado às mulheres”, afirmou.
A ginecologista deixou uma reflexão sobre a importância da prevenção.
“Se puder deixar herança para os filhos, ótimo. Mas o mais importante é não deixar um corpo doente por coisas que poderiam ter sido prevenidas. Precisamos cuidar da nossa saúde para viver bem e com autonomia”, concluiu.