07/06/2026
--
De Olho na Cidade
InícioMarço Mulher
5 min de leitura

Menopausa: especialista destaca importância da informação e da qualidade de vida para as mulheres

Ginecologista destaca que menopausa é um marco natural da vida, mas exige atenção à saúde e ao estilo de vida.

Redação:
sexta-feira, 13 de março de 2026 às 14:05
Imagem de Menopausa: especialista destaca importância da informação e da qualidade de vida para as mulheres

A menopausa ainda é cercada por dúvidas e tabus, apesar do grande volume de informações disponíveis atualmente. Para esclarecer o tema e orientar mulheres sobre como enfrentar essa fase da vida com mais qualidade, a série especial Março Mulher no programa Jornal do Meio Dia (Rádio Princesa FM), entrevistou a ginecologista Dra. Glauce Casaes, que abordou sintomas, tratamentos e avanços da medicina preventiva no cuidado com a saúde feminina.

Segundo a médica, a menopausa é uma etapa natural da vida da mulher, marcada pelo fim do ciclo menstrual e por importantes mudanças hormonais.

“A menopausa é uma fase natural da vida da mulher. É marcada pelo fim do ciclo menstrual e por mudanças hormonais importantes, especialmente na produção de estrogênio. Essa transição costuma acontecer entre 45 e 55 anos e pode trazer sintomas como ondas de calor, alterações no metabolismo, impacto nas emoções e no sono”, explicou.

De acordo com a ginecologista, muitas mulheres ainda são surpreendidas pelos sintomas, principalmente por falta de informação ou pela ideia equivocada de que certos problemas são inevitáveis nessa fase.

“Existem dois fatores principais. Um é a normatização: muitas mulheres acreditavam que era normal ter fogachos, obesidade ou diabetes durante a menopausa e não buscavam ajuda. O segundo é a falta de informação”, afirmou.

Ela ressaltou que ampliar o acesso ao conhecimento é essencial para mudar esse cenário.

“O conhecimento só é válido quando consegue chegar às pessoas e mudar alguma realidade. Por isso é tão importante usar redes sociais, programas de rádio e outros meios para levar informação às mulheres”, destacou.

Perimenopausa pode começar até 10 anos antes

A médica também explicou que muitas pessoas confundem o conceito de menopausa. Na prática, o termo se refere apenas à última menstruação da mulher.

“A menopausa é um marco, é a data da última menstruação. O período crítico, na verdade, é a perimenopausa, que pode começar cinco, sete ou até dez anos antes”, explicou.

Segundo ela, nesse período ocorre uma queda gradual dos hormônios produzidos pelos ovários.

“A menopausa é uma falência ovariana. Os ovários deixam de produzir hormônios. Primeiro cai a progesterona, depois o estradiol e por fim a testosterona, o que provoca diversos sintomas”, disse.

Estilo de vida influencia intensidade dos sintomas

Outro ponto destacado pela especialista é que cada mulher vive essa fase de forma diferente, devido à chamada individualidade biológica.

“Cada mulher tem sua genética e seu estilo de vida. Quantas horas dorme, como se alimenta, se pratica atividade física, como gerencia o estresse. Tudo isso influencia nos sintomas”, explicou.

Entre os sintomas mais relatados estão ondas de calor, ganho de peso, irritabilidade e insônia.

Medicina preventiva ganha espaço no tratamento

Nos últimos anos, a medicina preventiva e funcional tem ganhado destaque no cuidado com a menopausa. Segundo Dra. Glauce, essa abordagem se baseia em três pilares principais.

“Existe um tripé: metabolismo, nutrição e hormônios. Quando conseguimos equilibrar esses três fatores, a mulher tende a ter uma menopausa menos sofrida”, afirmou.

Além de reduzir sintomas, essa estratégia também ajuda a prevenir doenças comuns nessa fase da vida.

“A osteoporose, por exemplo, pode ser prevenida. Doenças cardiovasculares e até algumas doenças neurodegenerativas também podem ter redução de risco com acompanhamento adequado”, explicou.

Reposição hormonal ainda gera dúvidas

A terapia de reposição hormonal continua sendo um dos temas que mais geram receio entre as mulheres. No entanto, segundo a médica, muitos desses medos surgiram a partir de estudos antigos que já foram revisados pela ciência.

“Hoje sabemos que a terapia de reposição hormonal, quando bem indicada e acompanhada, é segura e pode devolver qualidade de vida às mulheres”, afirmou.

Ela destacou que a reposição busca restabelecer hormônios importantes para o organismo.

“Se a menopausa representa a perda desses hormônios, por que não repor quando não existe contraindicação? A reposição pode melhorar o sono, o humor, a saúde óssea e diversas funções do organismo”, explicou.

Vida sexual não termina com a menopausa

Outro mito comum é a ideia de que a menopausa representa o fim da vida sexual. Para a especialista, essa visão não corresponde à realidade.

“A libido é multifatorial. Não depende apenas dos hormônios. Ansiedade, fadiga, autoestima e qualidade do relacionamento também influenciam”, disse.

Ela acrescenta que há tratamentos disponíveis para sintomas físicos como o ressecamento vaginal.

“Hoje existem cremes, comprimidos vaginais e até tecnologias que ajudam nessa questão. Muitas mulheres relatam que, com autoconhecimento, têm até mais prazer nessa fase da vida”, afirmou.

Cuidados básicos já fazem grande diferença

Apesar de existirem tratamentos médicos, a especialista reforça que hábitos simples já ajudam a melhorar a qualidade de vida durante a menopausa.

“Comida de verdade, sono de qualidade, atividade física, especialmente musculação, e controle do estresse já fazem uma enorme diferença”, orientou.

Segundo ela, o objetivo é permitir que as mulheres envelheçam com autonomia e independência.

“Não adianta viver 80 ou 85 anos sem qualidade de vida. O importante é envelhecer com dignidade, autonomia e saúde”, destacou.

Atualização internacional

Durante a entrevista, a médica também revelou que participará de um congresso internacional sobre menopausa na em Harvard, nos Estados Unidos, entre os dias 20 e 31 de março.

“O congresso vai abordar temas importantes como saúde intestinal, sono e a importância do músculo como órgão endócrino. Tudo isso tem relação direta com a longevidade e a saúde da mulher”, explicou.

Ela destacou que pretende trazer novos conhecimentos para aplicar no atendimento às pacientes.

“Tudo o que fazemos precisa ser baseado em ciência. É isso que eu vou buscar lá: atualização para oferecer o melhor cuidado às mulheres”, afirmou.

A ginecologista deixou uma reflexão sobre a importância da prevenção.

“Se puder deixar herança para os filhos, ótimo. Mas o mais importante é não deixar um corpo doente por coisas que poderiam ter sido prevenidas. Precisamos cuidar da nossa saúde para viver bem e com autonomia”, concluiu.

Compartilhar:

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nosso Termos de Uso.