Especialista detalha ação do Veoza, destaca limites da nova medicação e alerta que reposição hormonal segue como padrão-ouro no tratamento dos sintomas da menopausa.
Durante participação no quadro Mulheres em Pauta, a ginecologista Dra. Márcia Suely esclareceu dúvidas sobre a menopausa e comentou a chegada de uma nova medicação aprovada pela Anvisa, o Veoza (fezolinetante), que vem gerando grande repercussão nas redes sociais por sua promessa de reduzir os fogachos, um dos sintomas mais comuns da fase.
A especialista destacou que o medicamento representa um avanço, mas não substitui a terapia hormonal.
“É uma opção que surgiu no mercado, com expectativa muito grande, mas não substitui a reposição hormonal”, explicou.
A médica explicou que os fogachos — ondas de calor intensas e súbitas — estão ligados à queda do estrogênio, hormônio que atua diretamente na regulação da temperatura corporal.
“O estrogênio é responsável pelo centro termoregulador do cérebro. Quando ele cai, ocorre uma desregulação e o corpo entende que está com calor, mesmo sem estar”, detalhou.
Segundo ela, essa alteração pode provocar não apenas calorões, mas também suor excessivo, palpitações e distúrbios do sono.
“A mulher muitas vezes acorda no meio da noite e não consegue mais dormir. Isso impacta diretamente na qualidade de vida”, afirmou.
A ginecologista explicou que o Veoza atua especificamente na redução dos fogachos, agindo em mecanismos neurológicos ligados ao hipotálamo, sem atuar diretamente sobre o estrogênio.
“O Veoza age diminuindo a hiperatividade de substâncias no cérebro relacionadas ao calorão. Mas ele não repõe hormônios”, destacou.
Apesar disso, a médica reforça que a menopausa envolve mais de 70 sintomas já catalogados, e que o medicamento não trata a maioria deles.
“Ele é uma ferramenta importante, mas age em apenas um sintoma”, afirmou.
Dra. Márcia reforçou que, mesmo com novas opções, a terapia hormonal ainda é o tratamento mais completo para mulheres com indicação médica.
“A terapia hormonal continua sendo o padrão ouro. O Veoza é uma nova ferramenta, mas não substitui esse tratamento”, disse.
Ela destacou ainda que a escolha do tratamento deve ser individualizada.
“Não existe tratamento padrão para todas as mulheres. Cada paciente precisa de uma avaliação individualizada”, explicou.
A especialista também lembrou que, antes do Veoza, já existiam alternativas não hormonais para controle dos sintomas, como antidepressivos, gabapentina, oxibutinina e fitoterápicos.
“Essas medicações não foram criadas para a menopausa, mas ajudam a reduzir os fogachos em algumas pacientes”, disse.
Entre as limitações do novo fármaco, a médica citou o fato de atuar em apenas um sintoma, possíveis efeitos sobre o fígado e o custo ainda incerto no Brasil.
“Pode causar hepatotoxicidade em alguns casos, então precisa de acompanhamento médico”, alertou.
Ela também destacou que o preço pode ser um fator limitante de acesso.
A ginecologista mencionou ainda a cannabis medicinal como opção terapêutica complementar em alguns casos.
“A cannabis medicinal pode ser utilizada em diversas condições, inclusive na menopausa, sempre com indicação médica”, afirmou.
Dra. Márcia Suely reforçou que o tratamento da menopausa deve ir além de medicamentos, incluindo mudanças no estilo de vida.
“Não é só medicação. Alimentação, sono, exercícios e acompanhamento especializado fazem parte do tratamento”, concluiu.