27/06/2026
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3 min de leitura

Tratamentos da endometriose vão além de hormônios e exigem abordagem multidisciplinar, explica ginecologista

Especialista destaca que doença é inflamatória e estrogênio-dependente; cirurgia é indicada apenas em casos específicos

Victória SilvaRedação: Victória Silva
JP MirandaReportagem: JP Miranda
sábado, 27 de junho de 2026 às 10:13
Imagem de Tratamentos da endometriose vão além de hormônios e exigem abordagem multidisciplinar, explica ginecologista

A endometriose é uma doença crônica, inflamatória e estrogênio-dependente que exige diferentes estratégias de tratamento. Além das terapias hormonais, mudanças no estilo de vida e acompanhamento multidisciplinar são fundamentais para o controle da condição, segundo a ginecologista Márcia Suely.

De acordo com a médica, o principal mecanismo da doença está ligado ao aumento dos níveis de estrogênio no organismo.

“A endometriose é uma doença caracterizada pelo aumento do estradiol, um hormônio que normalmente está baixo na menopausa. Nessas mulheres, existe um nível mais alto de estrogênio”, explicou.

Dra. Márcia detalha que o tecido endometrial, que normalmente reveste o útero, pode se implantar em outras regiões do corpo, provocando inflamação e dor.

“É uma doença inflamatória e estrogênio-dependente. Esse tecido se implanta em outros órgãos, inflama e sangra na cavidade, estimulando o sistema imunológico”, afirmou.

Segundo a ginecologista, o tratamento da endometriose não é único e deve atuar em duas frentes: redução hormonal e controle da inflamação.

“Eu preciso diminuir o estrogênio e fazemos isso com bloqueio menstrual. Quando a paciente deixa de menstruar, reduzimos os focos de endometriose, porque a menstruação ativa esses focos”, disse.

Entre as opções terapêuticas, ela cita anticoncepcionais sem estrogênio, o DIU hormonal e a gestrinona.

“O DIU Mirena para a menstruação e a gestrinona, que é um hormônio sintético, bloqueiam rapidamente o estradiol e reduzem também o processo inflamatório”, explicou.

A médica ressalta que não há um único tratamento eficaz para todas as pacientes.

“Não existe um tratamento único. Cada caso precisa ser avaliado individualmente”, pontuou.

Além das medicações, Márcia destaca a importância de mudanças no estilo de vida como parte do tratamento contínuo.

“A gente tem que pensar em reduzir esse processo inflamatório da forma mais natural possível. Não dá para usar anti-inflamatório a vida inteira”, afirmou.

Segundo ela, alimentação, suplementação e saúde intestinal têm impacto direto no quadro clínico.

“O que a gente come determina o que a gente é. É preciso alimentação saudável, suplementação de vitaminas como a vitamina D, e tratamento da disbiose intestinal”, disse.

A ginecologista reforça que o tratamento deve envolver uma equipe multiprofissional.

“É um tratamento multidisciplinar, com médico, nutricionista, fisioterapeuta e psicólogo, porque a principal consequência da endometriose é a dor, e a dor é muito limitante”, explicou.

Sobre avanços recentes, a médica afirma que ainda não há grandes mudanças em relação às terapias já existentes, e destaca que a cirurgia não é uma solução universal.

“A cirurgia tem indicações específicas. Muita gente acha que vai ficar curada, mas não fica”, alertou.

Segundo ela, o procedimento é indicado em casos de dor intensa, obstruções de órgãos ou dificuldade para engravidar.

“Quando o diagnóstico é tardio e os sintomas são intensos, às vezes a dor não responde mais a nada. Também há casos de obstrução intestinal, problemas urinários ou dificuldade de fertilidade”, explicou.

Márcia lembra que o diagnóstico da doença ainda é tardio, o que agrava os casos.

“O diagnóstico pode levar cerca de dez anos, e esse é o grande problema da endometriose”, concluiu.

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