Nos Estados Unidos, a FDA decidiu retirar o alerta de "caixa preta" dos medicamentos usados na terapia de reposição hormonal para menopausa.
A ginecologista Dra. Márcia Suely participou do quadro Mulheres em Pauta, onde abordou o tema “Menopausa sem Medo! A nova era da terapia hormonal”. A médica destacou que um marco recente na área da saúde feminina tem mudado a forma como médicos e pacientes encaram a reposição hormonal: a Agência Reguladora de Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) reconheceu publicamente que manteve, por mais de 20 anos, um alerta de alto risco em medicamentos hormonais, algo que, segundo novos estudos, não se sustenta cientificamente.
Logo no início, Dra. Márcia comemorou a mudança de perspectiva: “A era do medo, graças a Deus, vai acabar. A era do medo do hormônio, do medo do câncer de mama por conta da reposição hormonal. A ciência está colocando os pingos nos is.”
A ginecologista explicou que a FDA, a maior agência reguladora de medicamentos do mundo, admitiu ter cometido um erro histórico, ao incluir nos medicamentos hormonais um alerta semelhante ao de “tarja preta”. Esse alerta dizia que hormônios aumentavam o risco de câncer, trombose, derrame e doenças cardiovasculares.
Segundo a médica, esse aviso afetou o mundo inteiro. “O secretário da FDA pediu desculpas publicamente por 23 anos desse erro. Ele disse claramente: hormônio não causa câncer, hormônio não causa trombose, hormônio não causa derrame. A era do medo acabou.”
A retratação, afirma ela, devolve às mulheres a oportunidade de discutir o tratamento hormonal com segurança e embasamento científico.
Para Dra. Márcia, a correção feita pela agência americana deve provocar uma mudança de postura tanto entre pacientes quanto entre profissionais de saúde:
“Muitas mulheres deixaram de usar reposição hormonal e sofreram com perda de qualidade de vida. Agora, médicos precisam se atualizar. Não dá mais para negar terapia hormonal por medo de uma informação que a ciência já mostrou não ser verdadeira.”
Ela alerta que muitos sintomas — como insônia, irritabilidade, fogachos, baixa libido e até depressão — são frequentemente tratados de forma isolada, quando a causa real está ligada à menopausa.
“Muitas mulheres vão ao psiquiatra sem saber que aquele quadro é hormonal. Médicos de todas as áreas precisam olhar para essa paciente com mais sensibilidade.”
A ginecologista reforçou que nem todas as mulheres podem usar hormônios, mas a maioria pode.
“Hoje sabemos que os maiores riscos para câncer de mama não são os hormônios. São obesidade, sedentarismo, álcool e cigarro. O hormônio não inicia o câncer. Ele pode estimular um tumor já existente, mas não cria a doença.”
Ela explicou ainda que mulheres com histórico familiar de câncer de mama devem avaliar caso a caso, podendo inclusive fazer testes genéticos para avaliar o risco.
Dra. Márcia foi enfática ao citar os avanços científicos:
“Eu sou prova viva de que a reposição hormonal é vida. Ela melhora qualidade de vida e reduz o ritmo do envelhecimento.”
Entre os principais benefícios da terapia hormonal, ela destacou:
Para pacientes com contraindicações, a médica reforçou que existem opções eficazes:
“São poucas as mulheres que não podem fazer reposição. E mesmo para elas, temos alternativas seguras.”
Encerrando a entrevista, Dra. Márcia deixou uma mensagem para as mulheres:
“A era do medo acabou. Não dá mais para acreditar que reposição hormonal causa câncer. A ciência provou o contrário. Agora é momento de informação, segurança e qualidade de vida.”
Ela reforçou ainda a importância de procurar profissionais especializados:
“Não é prescrever hormônio e voltar daqui a um ano. É acompanhamento contínuo. Procurem médicos capacitados, que saibam conduzir cada etapa.”