Tecnologia e financiamento climático guiam atuação de Portugal nas negociações da COP30
A ministra do Ambiente e Energia de Portugal, Maria da Graça Carvalho, conversou com Jorge Biancchi durante a abertura da segunda semana da COP30, em Belém, e destacou a importância desta fase da conferência, marcada pela presença de ministros de diversos países e por decisões de caráter político.
Segundo a ministra, esta é a etapa decisiva do encontro.
“Esta semana é muito política e é muito central. Vai ser uma semana exigente, mas muito pragmática”, afirmou. Ela destacou que espera avanços concretos em diferentes eixos das negociações. “Vamos conseguir avanços na redução das emissões, na adaptação, na transição justa e também no financiamento. Essa é a minha expectativa.”
Apesar do otimismo, Maria da Graça Carvalho reconheceu a preocupação global sobre o financiamento climático, sobretudo para países pobres.
“Há sempre a preocupação, e até frustração, de não alcançarmos os recursos necessários para financiar a preservação do meio ambiente nos países mais vulneráveis”, disse.
Ela também comentou sobre o fundo destinado à conservação das florestas tropicais, uma das discussões centrais em Belém.
“As quantidades necessárias são muito grandes, e precisa haver uma grande conjugação de esforços de todos”.
Portugal, segundo a ministra, tem buscado ampliar sua participação financeira.
“Na semana passada, o nosso primeiro-ministro anunciou que Portugal foi o primeiro país da União Europeia a contribuir para o fundo das costas especiais”, destacou.
Ela adiantou ainda que usaria seu discurso no plenário para reforçar esse compromisso:
“Vou anunciar um aumento do financiamento em alguns dos fundos destinados aos países em desenvolvimento. Estamos a fazer o nosso melhor”.
Além da pauta financeira, Maria da Graça Carvalho terá papel estratégico nas negociações sobre tecnologia.
“Vou ser representante da União Europeia nas negociações da área de tecnologia”, afirmou.
Segundo ela, esse é um dos pilares que a presidência brasileira tem priorizado.
“Tecnologia é fundamental. Vamos discutir como se faz a transferência de tecnologia, como se faz a capacitação e como se financia a inovação necessária para acelerar as energias renováveis e duplicar a eficiência energética”, explicou. “São estes os temas que vamos tentar negociar e fechar”.
A ministra reforçou o compromisso de Portugal com o processo climático internacional e agradeceu a oportunidade de dialogar durante a conferência.
“Todos estamos a trabalhar para alcançar resultados que realmente façam diferença no combate às alterações climáticas”, concluiu.
*Com informações de Jorge Biancchi, direto da COP 30 em Belém