Miomas são tumores benignos originados do miométrio e que, na grande maioria dos casos, não evoluem para câncer.
Os miomas uterinos são nódulos benignos formados no músculo do útero e atingem uma parcela significativa das mulheres. Durante entrevista para o quadro " De mulher para mulher", do Jornal do Meio Dia, a ginecologista Dra. Cláudia Souza explicou que apesar de serem comuns, os miomas ainda geram dúvidas e preocupações.
A médica explicou que os miomas são tumores benignos originados do miométrio e que, na grande maioria dos casos, não evoluem para câncer.
“Eles são muito comuns e raramente malignizam, mas ainda existe muito medo e desinformação em torno do assunto”, destacou. A estimativa é de que entre 30% e 40% das mulheres acima dos 40 anos apresentem algum tipo de mioma, sendo a ocorrência mais rara antes dos 20 anos.
A especialista ressaltou que esses nódulos são hormônio-dependentes, especialmente do estrogênio, o que explica sua maior incidência a partir dos 35 anos, fase em que ocorrem alterações hormonais no organismo feminino. Além disso, fatores como menstruação precoce, não ter tido filhos, predisposição genética, sobrepeso e hábitos de vida também podem contribuir para o surgimento dos miomas.
Na maioria das vezes, os miomas são pequenos e não causam sintomas, sendo descobertos em exames de rotina, como a ultrassonografia transvaginal. Ainda assim, Dra. Cláudia alertou para a importância de uma investigação cuidadosa.
Dependendo da qualidade do exame e da atenção do profissional, alguns nódulos podem passar despercebidos. Em certos casos, é necessário complementar com ressonância magnética para uma avaliação mais detalhada”, explicou.
Quando apresentam sintomas, os miomas podem provocar sangramentos intensos, cólicas, dor durante a relação sexual e até alterações urinárias e intestinais, principalmente quando atingem grandes volumes ou comprimem órgãos próximos. A localização dos nódulos também influencia diretamente o quadro clínico. Aqueles situados dentro da cavidade uterina, por exemplo, podem dificultar a gravidez ou aumentar o risco de abortamento, enquanto os que crescem na parte externa do útero tendem a ser mais silenciosos.
Sobre o tratamento, a ginecologista foi enfática ao esclarecer que não existem medicamentos capazes de eliminar os miomas. “Os remédios ajudam a controlar sintomas, como dor e sangramento, mas o mioma só desaparece com a remoção cirúrgica”, afirmou. Entre as abordagens estão o uso de hormônios, dispositivos intrauterinos hormonais e medicamentos específicos para controle dos sintomas. Em alguns casos, pode-se recorrer à embolização uterina, procedimento minimamente invasivo que reduz o volume dos nódulos.
As cirurgias também podem ser indicadas, variando entre a retirada apenas dos miomas, preservando o útero, ou a remoção completa do órgão, dependendo da idade da paciente, do tamanho dos nódulos e do desejo de engravidar. “Cada caso precisa ser avaliado individualmente, levando em conta a história e os planos de vida da mulher”, reforçou.
Outro ponto destacado pela médica foi a importância do acompanhamento contínuo, mesmo quando não há sintomas. Segundo ela, muitos miomas permanecem estáveis, mas outros podem crescer ao longo do tempo, exigindo monitoramento regular.
Ao final, Dra. Cláudia também chamou atenção para um procedimento que tem ganhado espaço: a embolização dos miomas, que pode reduzir seu tamanho e aliviar sintomas, embora ainda não seja amplamente acessível pelo sistema público de saúde.
O quadro “De Mulher para Mulher” vai ao ar todas as sextas-feiras, às 13h, no Jornal do Meio Dia, da Rádio Princesa FM — 96.9 , trazendo informações sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida da mulher.