Partido afirma que vulnerabilidade pode ter sido explorada por terceiros e diz ter acionado o TSE e a Polícia Federal após alteração no cadastro do senador
O partido Missão informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta sexta-feira (14), que identificou uma vulnerabilidade em seu sistema de filiação que pode ter sido usada para registrar irregularmente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como integrante da legenda. A sigla classificou o episódio como uma possível fraude e solicitou que o caso seja investigado.
A alteração veio à tona na quinta-feira (13), quando Flávio passou a aparecer no sistema da Justiça Eleitoral como filiado ao Missão. A situação impediu, inicialmente, o registro de sua candidatura à Presidência da República pelo PL. Mais tarde, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a correção do cadastro, restabelecendo o vínculo do senador com o PL e retirando a filiação ao Missão de seu histórico.
O TSE informou que não houve invasão aos sistemas da Corte. Segundo o tribunal, a mudança foi realizada por alguém que possuía credenciais de acesso vinculadas ao Missão. Após detectar outras tentativas de alterações semelhantes, a Justiça Eleitoral decidiu interromper temporariamente o processamento de novas filiações partidárias.
Na manifestação enviada ao TSE, o Missão reconheceu que seu sistema próprio de filiação apresentava uma falha de segurança. A legenda explicou que havia automatizado o processo para agilizar o cadastro de novos integrantes, mas admite que o modelo pode ter criado uma brecha para ações fraudulentas.
O partido, no entanto, afirmou não haver indícios de participação deliberada de dirigentes ou pessoas autorizadas pela legenda na inclusão do senador.
Como parte da apuração, o Missão encaminhou ao TSE informações técnicas, incluindo o endereço de IP usado no procedimento. A legenda também apresentou registros relacionados a mensagens enviadas ao e-mail oficial do mandato de Flávio e aos acessos realizados a links dessas comunicações antes da alteração cadastral.
Outro ponto levantado pelo partido foi a utilização de informações incorretas no cadastro. Entre os dados registrados havia um endereço que não correspondia às informações oficiais do senador, além de alterações em dados vinculados ao CPF.
O Missão também argumentou que não teria motivo para tentar prejudicar a candidatura de Flávio, já que as notificações sobre a movimentação cadastral foram encaminhadas ao endereço eletrônico oficial utilizado pelo senador.
Flávio confirmou que as mensagens chegaram ao gabinete, mas afirmou que os e-mails foram interpretados como spam e, por isso, não receberam a devida atenção naquele momento.
Assim que percebeu a irregularidade, o Missão iniciou uma investigação interna, comunicou o TSE e registrou um boletim de ocorrência junto à Polícia Federal. A equipe de tecnologia da legenda também teria recuperado informações utilizadas durante o procedimento de filiação.
O episódio não teria se limitado ao senador. O TSE informou que identificou tentativas de alteração cadastral envolvendo outros políticos, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse caso, contudo, a mudança não chegou a ser concluída.
Diante das ocorrências, o tribunal determinou a suspensão temporária do processamento de novas filiações no Sistema de Filiação Partidária (FILIA).
O prazo legal para que candidatos estivessem filiados às legendas pelas quais pretendem disputar as eleições de outubro terminou em 4 de abril. A filiação partidária é uma das exigências previstas na legislação eleitoral para a candidatura.