Dra. Aline Jardim fez críticas à facilidade encontrada por moradores para adquirir medicamentos irregulares.
Uma jovem de 31 anos morreu após utilizar caneta emagrecedora sem orientação médica. O caso acendeu um alerta para o uso indiscriminado de canetas para emagrecimento, especialmente as adquiridas sem prescrição ou origem confiável.
A médica nutróloga Dra. Aline Jardim, entrevistada no Programa Cidade em Pauta, explicou que o medicamento original é fabricado pela farmacêutica Lilly e não está disponível para compra regular no Brasil, abrindo brecha para o contrabando e venda de produtos falsificados.
“As pessoas estão adquirindo substâncias trazidas de forma ilegal, principalmente do Paraguai, que não são autorizadas pela Anvisa. Quem compra algo assim não sabe a procedência do que está usando e assume um risco enorme para a saúde”, alertou.
Segundo a médica, os primeiros relatos do caso apontam que a jovem sofreu hipoglicemia severa, seguida de broncoaspiração.
“Provavelmente ocorreu um vômito, ela aspirou esse conteúdo, sufocou e morreu. Não sabemos nem se o produto que ela utilizou realmente era tirzepatida ou algo falsificado”, explicou Dra. Aline.
Ela reforça que todo medicamento injetável precisa de conservação adequada, mantido entre 2°C e 8°C, o que não acontece no contrabando.
“Esses produtos são escondidos em malas, tapetes, locais impróprios. Perderam a refrigeração correta e podem se tornar extremamente perigosos.”
A médica lembrou que os medicamentos aprovados no Brasil, como o Ozempic e Wegovy (semaglutida), também apresentam contraindicações e precisam de prescrição:
“Não é só aplicar a canetinha. Precisa de avaliação médica, exames e acompanhamento nutricional. Não é qualquer pessoa que pode usar.”
Dra. Aline fez críticas à facilidade encontrada por moradores para adquirir medicamentos irregulares.
“Tem cabeleireiro vendendo, personal trainer vendendo, até seringa já vem cheia, sem ninguém saber o que tem dentro. Isso é crime e precisa ser denunciado.”
A médica destacou ainda um caso recente de paciente internada com pancreatite após usar um produto supostamente comprado em Feira de Santana.
“O médico foi chamado ao hospital e constatou que a paciente não usou o medicamento que ele prescreveu. Ela comprou algo de procedência duvidosa.”
A profissional reforça que venda ilegal deve ser comunicada às autoridades:
“Existe um canal de denúncia: (75) 98190-5898. É sigiloso. Denunciar significa proteger vidas.”
Ela finalizou com um apelo: “As pessoas querem emagrecer rápido a qualquer custo. Mas a saúde tem de vir em primeiro lugar. Medicamento só deve ser adquirido em farmácia, com receita médica e orientação adequada.”