Profissionais do rádio e do jornalismo relatam trajetórias e apontam avanços da presença feminina na comunicação
Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o programa De Olho na Cidade da Rádio Sociedade News reuniu as profissionais que fazem parte da equipe JB Comunicação para um debate sobre a presença feminina no rádio, no jornalismo e nas redes sociais, além de reflexões sobre desafios, superação e a preocupante realidade da violência contra a mulher no Brasil.
Participaram da conversa as jornalistas e comunicadoras Isabel Bomfim, Victória Silva e Thacy Mendes, além da produtora e apresentadora Ednalva Valença.
Para a jornalista e apresentadora, Isabel Bomfim, trabalhar na comunicação representa a realização de um sonho de infância. Ela conta que, desde pequena, já demonstrava interesse pela área.
“Eu me sinto muito realizada em ser uma mulher na comunicação. Todos os dias é um grande sonho. Desde pequena eu já imitava apresentadoras de TV em casa. Então, acordar todos os dias e saber que estou indo para um lugar onde me sinto realizada é algo que me deixa muito feliz”, afirmou.
Isabel também destacou a importância da representatividade feminina e das inspirações que surgem dentro do próprio ambiente profissional.

“Eu admiro muito as mulheres na comunicação. Já destaquei aqui que uma das pessoas que me inspirou para estar aqui todos os dias é Ana Paula. E é possível ver cada vez mais mulheres no rádio, na TV e até no esporte. Isso mostra a nossa força e o nosso empenho em ocupar esses espaços”, disse.
A trajetória de Nau Valença dentro da comunicação começou atendendo telefonemas na rádio, mas acabou se transformando em uma carreira consolidada.
“Minha chegada no rádio foi no telefone. Passei um bom tempo atendendo os ouvintes e fui pegando gosto. Cheguei como estagiária e fui crescendo aos poucos. Eu tenho orgulho de dizer que vim do telefone. Foi um trabalho de formiguinha”, relembrou.

Ela destacou que cada oportunidade foi fundamental para sua evolução profissional: “Eu sou recepcionista, sou secretária, e tudo que conquistei veio com muito trabalho. Eu lembro de onde eu vim e tenho muito orgulho disso”, afirmou.
A jornalista, redatora e produtora Victória Silva contou que descobriu o interesse pela comunicação ainda durante os estudos no ensino médio, após se identificar com um personagem jornalista em um livro.
“A comunicação veio para mim quando eu entrei no ensino médio. Li um livro que tinha um personagem jornalista e pensei: talvez eu possa ser jornalista também. A partir daí decidi que queria seguir essa profissão”, explicou.

Ela também destacou a influência de outras mulheres na sua trajetória: “Durante esse processo várias mulheres me inspiraram, mulheres de Feira de Santana, da Bahia e do Brasil. Tenho muito orgulho de fazer parte desse mundo da comunicação e espero também influenciar outras crianças e adolescentes que queiram entrar nessa área”, disse.
A história de Thacy Mendes chamou atenção pela superação. A jornalista revelou que sua entrada na comunicação surgiu justamente da dificuldade que tinha para falar quando era criança.
“O que me fez entrar na comunicação foi a minha dificuldade de me comunicar. Eu tinha um nível de gagueira muito forte quando era criança”, contou.

Segundo ela, a escrita foi o primeiro caminho para expressar aquilo que não conseguia falar: “Eu comecei a escrever tudo aquilo que tinha dificuldade de falar. Foi assim que me encontrei na escrita”, afirmou. Ela também relata que desde pequena, amava assistir filmes, surgindo então uma paixão pelo cinema.
A partir disso, Thacy escolheu seguir no jornalismo, pois viu uma oportunidade de seguir uma carreira profissional que envolvesse sua vocação com a escrita e seu interesse pela sétima arte. Apesar dos desafios, com o tempo, Thacy buscou superar seus limites por meio do teatro e do estudo da oratória.
“Eu pensei que não poderia viver só da minha insegurança. Comecei a fazer teatro, estudar oratória, recitar poemas em frente ao espelho e treinar todos os dias. A minha meta era melhorar a comunicação ao ponto de a gagueira não ser o centro das atenções”, relatou a jornalista, que também é atriz, escritora e profissional do audiovisual.
Mesmo com avanços, as participantes destacaram que ainda existem desafios para as mulheres na comunicação e em outros espaços profissionais. Para Victória, um dos principais obstáculos é a necessidade constante de provar competência.
“A mulher ainda sente dificuldade em se posicionar e se validar. Muitas vezes precisamos provar o tempo todo que somos capazes de estar naquele espaço”, afirmou.
Isabel concorda e acrescenta que essa cobrança constante exige um esforço extra das mulheres.
“A gente precisa se reafirmar o tempo inteiro. Isso é algo que os homens não precisam fazer com a mesma frequência. Muitas vezes você chega em um ambiente e a pessoa cumprimenta todos, mas não cumprimenta a mulher. São situações que parecem pequenas, mas que afetam”, relatou.
Já Nau Valença afirmou que prefere encarar os desafios com confiança: “Eu não vejo barreiras. Eu tenho certeza de que posso chegar lá. Eu aprendi que a gente não pode colocar limites na nossa mente. O que precisamos é de oportunidade”, declarou.
Outro tema debatido foi o aumento da violência contra mulheres no país. Isabel destacou dados que mostram o crescimento dos casos de feminicídio.
“Eu fiquei muito assustada quando fiz um levantamento em vários portais de notícias e vi a quantidade de casos de violência contra a mulher. O Brasil registrou em 2025 o maior número de feminicídios dos últimos dez anos: foram 1.568 mulheres assassinadas por razão de gênero”, alertou.
Segundo ela, os números demonstram a urgência de políticas públicas mais efetivas.
“A gente precisa ir além do discurso. Muitas vezes se fala muito, mas na prática faltam políticas que realmente protejam as mulheres”, afirmou.
Thaciane também destacou o sentimento de insegurança vivido por muitas mulheres: “Muitas mulheres já foram vítimas desse tipo de violência. Isso gera medo e insegurança. Por isso é importante que cada vez mais mulheres denunciem e procurem ajuda”, disse.
As comunicadoras reforçaram a importância de que mulheres em situação de violência estejam atentas aos sinais e busquem ajuda.
“Às vezes a violência começa de forma psicológica e vai evoluindo. Por isso é importante denunciar e não ignorar os sinais”, alertou Isabel.
Victória acrescentou que a mudança também precisa envolver os homens: “É preciso que haja uma mudança de mentalidade. Os homens também precisam refletir sobre esse comportamento e ajudar a combater a violência”, afirmou.