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Mulheres na gestão financeira e empreendedorismo: Superando desafios e conquistando espaço

Gabriela Trindade compartilhou dados reveladores sobre a evolução do número de mulheres em cargos de liderança no Brasil

Por Rafa
sábado, 15 de março de 2025

Em entrevista ao projeto Março Mulher no programa Jornal do Meio Dia (rádio Princesa FM), Gabriela Trindade, contadora e especialista em planejamento tributário da Inovare Contabilidade, abordou sobre a crescente participação das mulheres na gestão financeira de empresas. Ela compartilhou dados reveladores sobre a evolução do número de mulheres em cargos de liderança no Brasil, como nas diretorias financeiras. Embora o número de mulheres nesses cargos tenha crescido de 13% para 18%, ainda é um percentual pequeno, especialmente se comparado à participação feminina em cargos de CEO, que é de apenas 6%.

“O perfil feminino tem ganhado espaço nessas posições de liderança financeira justamente pela nossa visão detalhada e menos arriscada nas decisões, o que é historicamente associado à figura feminina”, diz Gabriela “Historicamente, a mulher sempre teve um papel mais conservador, e isso tem sido um diferencial nas empresas.”

Em relação ao empreendedorismo feminino, Gabriela compartilhou dados que apontam o Brasil como um dos países com maior número de mulheres empreendedoras, ocupando a 7ª posição mundial. No entanto, apesar da grande quantidade de empreendedoras, o volume de negócios gerados ainda é pequeno, refletindo as dificuldades enfrentadas pelas mulheres, como a escassez de tempo devido às responsabilidades familiares e a dificuldade de acesso a crédito.

“Embora o Brasil tenha um número elevado de mulheres empreendedoras, estamos em 60º lugar em volume de negócios. O acesso ao crédito ainda é uma grande barreira. As taxas oferecidas para as mulheres, muitas vezes, são mais altas e há um histórico de resistência dos bancos em liberar crédito para elas”, destaca Gabriela.

Ela também citou o PRODETER, um programa do Banco do Nordeste voltado para o desenvolvimento do empreendedorismo feminino, como uma das iniciativas que têm ajudado a superar esses obstáculos. Além disso, o SEBRAE também tem se mostrado um grande parceiro na capacitação e apoio a mulheres empreendedoras.

Outro tópico abordado foi a recente medida do governo federal, que obriga empresas com mais de 100 funcionários a divulgar semestralmente relatórios sobre a relação salarial entre homens e mulheres, com o objetivo de fiscalizar e reduzir a disparidade salarial.

“Isso é um avanço. O governo está criando políticas públicas para promover a igualdade salarial, e empresas como o Banco do Brasil, que agora tem uma mulher como presidente, são um reflexo dessa mudança”, explica Gabriela.

Ela acredita que, embora ainda haja muito a fazer, a evolução já é visível.

“Antigamente, minha tia não tinha CPF próprio, ele estava no nome do esposo. Hoje, as mulheres têm autonomia financeira e um espaço significativo no mercado de trabalho”, diz Gabriela, destacando o progresso nas últimas décadas.

Porém, ela alerta que ainda há muito a ser feito, especialmente em relação ao equilíbrio entre as múltiplas funções que as mulheres desempenham. Gabriela compartilhou um pensamento importante sobre a necessidade de equilíbrio entre as demandas familiares e profissionais.

“Não é fácil empreender, e quando se tem uma família, isso se torna um desafio ainda maior. É fundamental ter inteligência emocional para lidar com as demandas familiares e os problemas do trabalho, sem se abater”, conclui Gabriela, ressaltando a importância de buscar apoio e equilíbrio na gestão das diversas responsabilidades.

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