O Parkinson é uma doença neurológica progressiva e degenerativa, causada principalmente pela redução da dopamina no cérebro, neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos.
A reabilitação na Doença de Parkinson foi o tema do quadro Neuroreabilitação em Pauta, apresentado no programa Cidade em Pauta, da Nordeste FM. O convidado foi o fisioterapeuta Vinícius Oliveira, da Reabserv, que explicou os impactos da doença, os avanços no tratamento e a importância da fisioterapia associada ao apoio familiar.
Segundo o especialista, o Parkinson é uma doença neurológica progressiva e degenerativa, causada principalmente pela redução da dopamina no cérebro, neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos.
“A doença de Parkinson é progressiva, mas através do exercício físico e da reabilitação é possível melhorar a qualidade de vida do paciente”, destacou Vinícius.
Embora o tremor em repouso seja o sinal mais conhecido, o fisioterapeuta alertou que a doença apresenta diversos outros sintomas, muitos deles surgindo anos antes do diagnóstico.
“Hoje a ciência já entende que o Parkinson pode começar pelo intestino. O paciente pode ter prisão de ventre até dez anos antes de descobrir a doença”, explicou.
Com a progressão, surgem sintomas motores como rigidez muscular, lentidão dos movimentos (bradicinesia), instabilidade postural e o chamado “congelamento”, quando o paciente trava e não consegue iniciar um movimento.
Vinícius relatou casos que ilustram essas dificuldades, como o de um paciente que ficou preso na porta giratória de um banco por não conseguir iniciar o movimento.
“Ele congelou dentro da porta. Ninguém entendia o que estava acontecendo. Só conseguiu melhorar depois de usar a medicação”, contou.
De acordo com o fisioterapeuta, a neuroreabilitação deve ser totalmente individualizada, respeitando a rotina, cultura e necessidades de cada paciente.
“Não existe tratamento igual para todo mundo. Um paciente com Parkinson precisa de um fisioterapeuta só para ele, com exercícios pensados para a vida real”, afirmou.
Ele citou o caso de uma paciente que procurou a fisioterapia porque tinha dificuldade de se levantar da cadeira da igreja.
“Ela dizia: ‘Vinícius, eu quero voltar a sentar na primeira cadeira da igreja’. Então nós treinamos exatamente isso, com a altura correta da cadeira”, relatou.
Técnicas visuais também são utilizadas para ajudar a destravar o movimento.
“Quando o paciente fixa o olhar em um ponto, isso ajuda a destravar o congelamento. Existem óculos e estratégias visuais que auxiliam muito”, explicou.
Vinícius destacou que o tratamento do Parkinson exige acompanhamento de vários profissionais, como neurologista, fisioterapeuta, nutricionista, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional.
“O fisioterapeuta não fecha diagnóstico. Quem faz isso é o neurologista. Mas a reabilitação atua diretamente nos efeitos da doença”, explicou.
Ele alertou ainda para problemas como dificuldade de deglutição, risco de broncoaspiração e pneumonias, situações comuns em fases mais avançadas da doença.
Um dos pontos mais enfatizados foi o papel da família no sucesso da reabilitação.
“O paciente faz uma hora de fisioterapia, mas passa mais de 160 horas por semana com a família. A família é parte fundamental do processo”, ressaltou.
Segundo ele, é essencial que os familiares estimulem a atividade, evitem o isolamento e não restrinjam o paciente ao leito.
“A família não pode ser uma barreira. Ela precisa ser facilitadora da reabilitação”, afirmou.
Apesar de ser uma doença progressiva, Vinícius reforçou que sempre há potencial a ser explorado.
“Todo paciente tem um potencial que ainda pode ser explorado. Não desacredite. Apesar de degenerativa, a doença ainda permite muitos ganhos em qualidade de vida”, concluiu.
O fisioterapeuta também destacou avanços da medicina, como novas medicações e a estimulação cerebral profunda, que podem trazer melhorias significativas em casos selecionados.