Atualização reforça o consumo de proteínas, valoriza alimentos naturais e alerta para os riscos dos ultra processados
No quadro Saúde em Pauta, a Dra. Aline Jardim, médica nutróloga, destacou as principais mudanças da nova pirâmide alimentar e explicou por que o modelo precisou ser atualizado.
Segundo a Dra. Aline, a pirâmide alimentar é atualizada a cada cinco anos nos Estados Unidos pelo Departamento de Agricultura, mas precisa ser analisada com cautela.
“É uma ferramenta importante, mas não pode ser seguida de forma cega. Cada país tem sua cultura, seu estilo de vida e seu padrão alimentar. O que serve pra eles pode não servir totalmente pra gente”, pontuou.
Ela lembrou que, ao longo da história, alguns alimentos foram incentivados por interesses econômicos e não necessariamente por benefícios comprovados à saúde.
“Nós precisamos sempre comparar essas recomendações com estudos científicos e com a realidade do paciente”, alertou.

Durante a entrevista, a nutróloga explicou que não é apenas o que se come que determina a saúde de uma população. Como exemplo, citou os italianos e japoneses.
“Eles têm um estilo de vida muito diferente. Andam mais a pé, usam bicicleta, têm menos sedentarismo. Não é só a dieta, é o conjunto: sono, estresse, convivência social e rotina”, destacou.
Entre as principais mudanças da nova pirâmide alimentar, a Dra. Aline chamou atenção para o aumento significativo da ingestão de proteínas.
“Antes, a recomendação era de 0,8 grama de proteína por quilo. Agora, passou para 1,6 grama. Eles dobraram a quantidade, algo que eu já defendo há bastante tempo”, afirmou.
Segundo ela, o foco maior em proteínas está diretamente ligado ao envelhecimento da população. “Precisamos cuidar da massa muscular, especialmente com o avanço da idade”, explicou.
Outro ponto importante foi a retirada do medo excessivo em relação às gorduras saturadas.
“O ovo, por exemplo, já foi vilão. Hoje está claro que pode ser consumido. A pirâmide também libera manteiga e até banha de porco, desde que haja equilíbrio”, disse. A nutróloga alertou, no entanto, para os excessos: “Não é para comer gordura sem controle. O equilíbrio continua sendo fundamental”.
A nova pirâmide também reforça o consumo de laticínios. Para a médica, é preciso acabar com a generalização de que o leite é inflamatório.
“Ele é inflamatório para uma parcela específica da população, não para todos. Para a maioria, o leite e seus derivados oferecem proteínas, vitaminas e minerais importantes”, explicou.
Ela destacou ainda a importância de escolher produtos naturais. “Não é aquele iogurte cheio de corante, açúcar e conservante. É preciso ler o rótulo e buscar opções mais simples”, orientou.
Um dos momentos mais enfáticos da entrevista foi quando a nutróloga falou sobre a alimentação das crianças.
“O primeiro contato alimentar de muitas crianças já é com produtos ultraprocessados, cheios de açúcar, corantes e conservantes. Isso contribui para obesidade infantil, alergias e problemas metabólicos”, alertou.
Para ela, a nova pirâmide reforça a necessidade de priorizar alimentos naturais. “Tudo que vem em caixinha, saquinho ou latinha precisa ser evitado. São alimentos ultraprocessados que trazem impactos diretos na saúde”, disse.
Questionada sobre como colocar a nova pirâmide alimentar em prática na realidade brasileira, a Dra. Aline foi direta. “Proteína em todas as refeições. Ovos, frango, carne, peixe. Vegetais pelo menos três vezes ao dia e frutas com moderação”, orientou.
Ela também destacou exemplos práticos: “No café da manhã, proteína, carboidrato e fruta. No almoço, arroz, feijão, carne, salada e uma fruta. No lanche, iogurte natural ou frutas com oleaginosas, mas sem exagero. E jantar cedo, de preferência até sete da noite”.
A nutróloga ainda alertou sobre o consumo de café à noite. “A cafeína pode interferir no sono por até oito horas. Mesmo que a pessoa ache que dorme, o descanso não é de qualidade”, afirmou.
Dra. Aline reforçou a mensagem principal da nova pirâmide alimentar. “Ela traz de volta o foco nos alimentos de verdade, sem medo da proteína, das gorduras boas e dos laticínios, e com menos espaço para os ultraprocessados. É sobre equilíbrio e escolhas conscientes”, concluiu.
A nutróloga atende no Instituto da Plástica, localizado na Rua Marechal Castelo Branco, nº 35, no Centro de Feira de Santana.