Vitória Lima explica como o discurso que coloca medo nos alimentos pode afetar a saúde mental e favorecer transtornos alimentares, especialmente entre adolescentes.
A nutricionista Vitória Lima fez um alerta sobre os impactos negativos do chamado terrorismo nutricional, prática cada vez mais comum em redes sociais e discursos populares sobre alimentação. Segundo ela, esse tipo de abordagem transforma o alimento em vilão e provoca medo, culpa e ansiedade, prejudicando não apenas a alimentação, mas também a saúde emocional.
“Quando a gente fala em terrorismo nutricional, estamos falando daquele discurso que coloca medo na comida. É quando o alimento vira vilão, quando a pessoa escuta o tempo todo: ‘isso engorda’, ‘isso faz mal’, ‘isso não pode’”, explicou.
De acordo com a especialista, os efeitos são ainda mais preocupantes entre adolescentes, que estão formando sua identidade e a relação com o próprio corpo.
“Isso tem um impacto muito grande na saúde mental, principalmente entre adolescentes que estão construindo a própria identidade e a relação com o corpo e com a comida”, destacou.
Vitória afirma que a ciência já demonstra que uma relação rígida e baseada no medo aumenta o risco de problemas emocionais e comportamentais.
“Quanto mais rígida e baseada no medo é essa relação com a alimentação, maior é o risco de culpa, ansiedade, episódios de exagero alimentar e até transtornos alimentares”, pontuou.
Segundo ela, o controle excessivo costuma gerar um ciclo prejudicial. “A pessoa tenta controlar demais, se sente culpada quando come algo que disseram que é errado e isso cria um ciclo muito comum: restrição, culpa e depois exagero. Isso não é falta de força de vontade, é uma resposta do corpo e da mente ao excesso de controle”, afirmou.
Outro fator citado pela nutricionista é o estresse provocado por esse medo constante em relação à comida.
“Esse medo ativa o estresse, e o estresse desorganiza ainda mais o comportamento alimentar. Ou seja, o terrorismo nutricional não melhora a alimentação, ele piora a relação com a comida”, alertou.
Como alternativa, Vitória defende uma mudança de perspectiva. Para ela, o primeiro passo é acabar com a classificação moral dos alimentos.
“A gente precisa parar de classificar os alimentos como bons ou ruins. Comida não tem moral, ela tem função, contexto e quantidade”, ressaltou.
A nutricionista também reforça que alimentação saudável não deve ser associada à perfeição.
“Alimentação saudável não é perfeição, é constância. É entender que dá para cuidar da saúde sem abrir mão do prazer, da vida social e da cultura alimentar”, disse.
Entre as estratégias recomendadas está aprender a ouvir o próprio corpo. “Perceber sinais de fome, saciedade e vontade de comer, sem julgamento, é fundamental. Quando a pessoa se sente acolhida e orientada, ela faz escolhas melhores de forma natural, não por medo, mas por consciência”, explicou.
Vitória resume o conceito de uma relação saudável com a alimentação. “A alimentação precisa ser uma aliada da saúde física e emocional. Comer bem é sobre equilíbrio, respeito e cuidado, não sobre culpa ou punição”, concluiu.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim