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Nutróloga para a importância de investigar a deficiência de vitaminas e minerais antes de atribuir sintomas a outras doenças

Deficiência de ferro, vitamina B12, vitamina D, zinco e outros nutrientes pode estar relacionada a sintomas como fadiga, queda de cabelo e falta de disposição

Victória SilvaRedação: Victória Silva
quarta-feira, 23 de setembro de 2026 às 12:36
Imagem de Nutróloga para a importância de investigar a deficiência de vitaminas e minerais antes de atribuir sintomas a outras doenças

Cansaço constante, queda de cabelo, falta de disposição, alterações de humor e dificuldade de concentração podem estar relacionados a carências nutricionais. O alerta foi feito pela médica nutróloga Dra. Aline Jardim durante participação no quadro Saúde em Pauta, ao abordar o tema “Carências nutricionais e sintomas”.

Segundo a especialista, a deficiência de vitaminas e minerais aparece com frequência entre pacientes que chegam ao consultório com queixas semelhantes. Ela explica que, principalmente em mulheres mais jovens, é importante investigar possíveis deficiências nutricionais antes de relacionar os sintomas exclusivamente a alterações hormonais.

“São pacientes que têm carências nutricionais e vêm com queixas de fadiga, cansaço, queda de cabelo e falta de disposição. Como está muito em alta o tema da perimenopausa e menopausa, às vezes relacionam com isso. Mas mulheres de 30, 33 anos, eu ainda não penso em carência hormonal. Eu preciso ver o que está acontecendo”, explicou.

Deficiência de nutrientes pode interferir na tireoide

A Dra. Aline também destacou que a deficiência de determinados micronutrientes pode interferir no funcionamento do organismo e até provocar alterações nos exames relacionados à tireoide.

De acordo com ela, antes de estabelecer um diagnóstico de hipotireoidismo subclínico em determinados casos, é necessário avaliar os níveis de nutrientes como vitamina B12, vitamina D, ferro e outros minerais.

“Eu gosto muito de primeiro deixar essa paciente nutrida e bem estabilizada para depois conseguir dar um diagnóstico”, afirmou.

A médica explicou ainda que a conversão do hormônio T4 em T3 depende de diversos micronutrientes.

“Para essa transformação, nós precisamos de vitamina D, B12, zinco, selênio, magnésio, manganês, ferro e algumas outras substâncias. Se esse paciente tem carência desses micronutrientes, essa conversão de T4 em T3 não acontece”, disse.

Segundo Dra. Aline, essa situação pode gerar sintomas semelhantes aos de alterações da tireoide. Em pacientes que já possuem hipotireoidismo, ela afirma que a deficiência de micronutrientes também pode dificultar a estabilização do tratamento.

“Às vezes, quando você tem hipotireoidismo e não faz essa reposição de micronutrientes, talvez seja aquele paciente que sempre tem que ficar aumentando um pouquinho a dose do T4. Você não consegue estabilizar. E isso pode ser simplesmente carência nutricional”, explicou.

Cansaço e queda de cabelo são sinais de alerta

Entre os sintomas que podem indicar deficiência nutricional estão o cansaço persistente, queda de cabelo, fraqueza, alterações de humor e dificuldade de concentração.

A nutróloga citou o caso de uma paciente de 33 anos, também médica, que procurou atendimento relatando cansaço mesmo após dormir adequadamente.

“Ela falou assim: ‘Aline, eu estou extremamente cansada, eu acordo cansada, eu durmo bem, na quantidade suficiente, mas acordo extremamente cansada. Estou tendo até dificuldade em estudar’. Ela tinha 33 anos, é jovem, então eu não estava pensando em carência hormonal. Eu realmente acredito que talvez fossem carências nutricionais”, relatou.

Segundo Dra. Aline, exames anteriores da paciente apontavam ferritina em 34, valor que motivou a investigação e a reposição de nutrientes.

A médica aproveitou o exemplo para diferenciar reposição de suplementação.

“É diferente reposição de suplementação. Reposição é quando eu vejo o exame e vejo o valor exato que aquela paciente precisa. Suplementação são esses suplementos vitamínicos que você compra na farmácia e fica tomando. Primeiro você repõe para depois ficar só nos níveis de suplementação”, explicou.

Idosos, crianças e pessoas com problemas intestinais exigem atenção

De acordo com a nutróloga, idosos e crianças estão entre os grupos que podem apresentar maior risco de carências nutricionais. Nas crianças, a alimentação seletiva pode contribuir para a deficiência de nutrientes. Já nos idosos, o envelhecimento pode interferir na capacidade de absorção intestinal.

A médica ressaltou que a saúde do intestino também tem papel importante no aproveitamento dos nutrientes ingeridos.

“Tudo que nós comemos depende do intestino saudável para absorver”, afirmou.

Ela citou ainda situações como gastrite, refluxo, constipação intestinal, intolerâncias alimentares e episódios frequentes de diarreia como fatores que podem prejudicar o equilíbrio intestinal e a absorção adequada dos nutrientes.

“Se você não tem um intestino saudável, não vai absorver adequadamente. Tudo isso causa uma desregulação do seu intestino, causando uma disbiose, e aí tudo que você come de saudável não tem uma boa absorção”, explicou.

Entre as deficiências que podem aparecer estão as de ferro, zinco, selênio, vitamina D e vitamina B12.

Gestação aumenta a necessidade de nutrientes

Durante a entrevista, a médica também falou sobre a importância da atenção nutricional durante a gestação.

Segundo Dra. Aline, o organismo materno direciona nutrientes para o desenvolvimento do bebê, o que reforça a necessidade de acompanhamento e reposição adequada quando indicada.

“Se você não fizer uma suplementação adequada, uma reposição, o seu corpo vai tirar de você. Então muitas mulheres têm queda de cabelo após a gestação porque o corpo deu tudo ali para aquele feto se desenvolver e você ficou sem nada”, explicou.

A especialista destacou ainda a importância do acompanhamento dos níveis de ferro durante a gravidez e no período anterior à gestação.

“A reposição de ferro nas gestantes é muito importante, principalmente para tentantes também, e ácido fólico para a formação neural e para evitarmos algumas doenças”, afirmou.

Alimentação e medicamentos também podem influenciar

A nutróloga chamou atenção ainda para pessoas que seguem dietas vegetarianas ou veganas, que precisam ter atenção especial à ingestão e ao acompanhamento de nutrientes encontrados em maior quantidade ou disponibilidade em alimentos de origem animal.

Ela também alertou que algumas doenças e medicamentos podem interferir na absorção de determinadas vitaminas.

“Algumas vitaminas estão relacionadas a medicamentos, a doenças e também a carências de alimentação saudável e adequada”, destacou.

A médica citou, entre outros exemplos, o uso de metformina e medicamentos que reduzem a acidez gástrica como fatores que podem estar associados à redução da absorção de vitamina B12, ressaltando a importância de avaliação individual.

Quando procurar ajuda?

Para Dra. Aline, pessoas que apresentam sintomas persistentes ou pertencem a grupos de maior risco devem procurar avaliação profissional para investigar possíveis deficiências.

“Como nutróloga, nós estamos sempre solicitando nos exames de rotina alguns exames básicos de vitamina B12, ácido fólico, ferro, ferritina, vitamina D, transferrina, zinco, selênio”, explicou.

Ela reforçou que mulheres com fluxo menstrual intenso, pessoas com alterações intestinais e indivíduos com alimentação restritiva devem ter atenção especial.

“Você que se sente cansada, você mulher que tem fluxo menstrual intenso, você que tem o intestino que não é saudável, você vegano também precisa fazer uma avaliação”, afirmou.

A médica ressaltou, entretanto, que a reposição deve ser feita a partir da avaliação individual e dos exames necessários, evitando a utilização indiscriminada de suplementos.

No encerramento, Dra. Aline também destacou a relação entre nutrição e procedimentos estéticos. Segundo ela, a adequada oferta de vitaminas e minerais contribui para processos do organismo relacionados à síntese de colágeno.

“Quando eu falo de reposição de vitaminas, eu estou falando não apenas dessa conversão da tireoide. Muitas mulheres buscam uma melhora da pele e fazem bioestimuladores e botox. Mas, se você não tiver um organismo preparado para receber esses estímulos, nada vai acontecer ou talvez você fique frustrada com os resultados”, concluiu.

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