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O perigo de trocar evidência por opinião: cardiologista alerta sobre riscos da desinformação na saúde

O médico lembrou que a ciência é construída com base em métodos, rigor e comprovação, e que não há atalhos no conhecimento científico.

Por Rafa
sábado, 08 de novembro de 2025

Em mais uma edição do Momento IDM Cardio, na Princesa FM, o cardiologista Dr. Israel Reis abordou um tema cada vez mais atual e preocupante: “O perigo de trocar evidência por opinião”. Durante a entrevista, o médico destacou os riscos de se basear em achismos e informações disseminadas nas redes sociais em vez de confiar em estudos científicos e orientações médicas fundamentadas.

“Nós vivemos o momento de maior volume de informações em saúde da história, mas também o de maior desinformação”, alertou Dr. Israel. Segundo ele, a chamada “infodemia” — termo utilizado pela Organização Mundial da Saúde — tem se tornado um desafio global.

“Todo mundo quer dar opinião, mas em medicina existe um risco enorme quando se troca o ‘eu acho’ pelo ‘eu posso provar’”, destacou.

O médico lembrou que a ciência é construída com base em métodos, rigor e comprovação, e que não há atalhos no conhecimento científico.

“A ciência é demorada, cheia de dúvidas, mas foi ela que nos trouxe até aqui. Já a opinião é rápida, atraente e muitas vezes perigosa”, observou.

Durante a conversa, Dr. Israel citou exemplos de pacientes que colocam a saúde em risco ao abandonar tratamentos comprovados cientificamente por alternativas sem evidências.

“Há relatos de pessoas que deixaram o tratamento do câncer para seguir terapias alternativas e acabaram morrendo por isso”, lamentou.

Ele destacou ainda que essa prática não só coloca vidas em perigo, como gera prejuízo financeiro e descredibiliza a medicina.

“Muitos pacientes usam fórmulas com várias substâncias sem saber para que servem. Gastam muito dinheiro e, no fim, não sabem nem o que estão tomando nem se aquilo faz efeito”, criticou.

Dr. Israel lembrou que durante a pandemia da Covid-19, uma grande parte das informações falsas em saúde teve origem em pessoas sem formação adequada.

“Estudos mostraram que 60% das fake news em saúde vieram de pseudo profissionais — gente com boa aparência e muitos seguidores, mas sem nenhuma formação médica”, explicou.

Para ele, esse fenômeno é alimentado pela facilidade com que opiniões sem base científica viralizam nas redes.

“A opinião vende o atalho: promete emagrecer 30 quilos em três meses, curar doenças de forma milagrosa. A evidência, por outro lado, mostra resultados reais, mas demorados e isso não viraliza”, observou.

Questionado sobre o que pode ser feito para combater a desinformação, o cardiologista defendeu maior atuação dos conselhos de classe e o fortalecimento da educação científica entre os pacientes.

“Os conselhos de medicina, nutrição, fisioterapia precisam agir com mais firmeza, mas também dependem de denúncias da população. É preciso reportar os falsos profissionais”, ressaltou.

Ele também incentivou que os pacientes se informem e questionem seus médicos.

“Antes de acreditar em um vídeo bonito ou num discurso emocionado, procure saber quem está falando. Busque o CRM, veja se o profissional segue diretrizes reconhecidas. Pergunte: quais estudos embasam o tratamento? Quais são as evidências?”, orientou.

Dr. Israel reforçou que o compromisso do médico deve ser sempre com a ciência e com o bem-estar do paciente.

“Se eu não sigo aquilo que está comprovado, não estou cuidando verdadeiramente do meu paciente. E há um princípio básico na medicina: se você não pode fazer o bem, não faça o mal. Só isso já é um grande passo”, concluiu.

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